sábado, 10 de setembro de 2011

Você quer ajudar?


















Vinicius Zanotti

Escrevo para apresentar um projeto que tenho desenvolvido desde o último ano, chamado “Escola de Bambu”. No período em que estive fora do Brasil, tive a oportunidade de viajar para a Libéria, país extremamente pobre situado ao oeste do continente africano, logo acima de Serra Leoa.

A Libéria tem uma história triste, devastada por uma guerra civil que durou 15 anos e só se encerrou em 2003. A maior parte dos soldados eram crianças cooptadas pela guerrilha e estimuladas a combater. Ainda hoje é difícil imaginar que isto tenha ocorrido em uma nação que, em 1979, foi considerada a mais pacífica do mundo pelo Guinness Book of Records.

Neste país em que não existe rede pública de energia elétrica, saneamento básico, semáforos em funcionamento, asfaltamento em ruas, transporte público e tantos outros benefícios existentes no lado ocidental do mundo, encontrei uma das pessoas mais incríveis que já tive a oportunidade de conhecer: Sabato Neufville.

Sabato, 34 anos, solteiro, adotou 9 crianças órfãs de guerra e é o principal organizador do “United Youth Movement Against Violence”, cuja finalidade é educar adolescentes liberianos e evitar que virem estatística nos elevados índices de violência infantil que ainda atormentam o país.

Sabato tem salário de U$ 800 mensais para trabalhar em cargo inferior na missão que a ONU mantém na Libéria. Com este dinheiro, além de alimentar e estudar os 9 filhos adotados, financia atividades de teatro, dança e música em dois diferentes bairros. Se não bastasse, ainda construiu uma escola para que 250 crianças da periferia de Monróvia, a capital, pudessem ser educadas na comunidade de Fendell.

O salário que ele consegue repassar aos professores são irrisórios U$ 10, quando o mínimo na Libéria é de U$ 60 mensais. Mesmo assim, os professores da unidade construída com bambus enfileirados não pensam em procurar outro trabalho. Eles sabem que, se abandonarem a comunidade de Fendell, dificilmente aquelas crianças terão outra oportunidade para estudar. A falta de estudo, para aqueles professores, transformará os jovens em presas fáceis de serem cooptadas e levadas ao campo de batalha num eventual novo conflito.

Diante desta situação, decidi gravar o documentário “Escola de Bambu”. Trouxe o material para o Brasil e retomei contatos profissionais para que pudéssemos finalizá-lo. Depois de concluído o vídeo, decidimos nos organizar para construir uma escola de alvenaria em substituição à de bambu. O amigo e arquiteto André Dalbó fez o projeto da nova escola, com banheiros, energia solar e saneamento básico; e agora estamos em fase de captação de recursos.

Enquanto buscamos parcerias com empresas ou instituições que se disponham a patrocinar o projeto, cujo valor total é de R$ 337.119,55, vamos vender DVDs, camisetas e canetas para ajudar a cobrir o orçamento.

Gostaria de pedir a todos vocês uma colaboração neste sentido. Seja comprando um dos produtos ou indicando pessoas que possam ter interesse em nos ajudar nesta empreitada.

Estamos organizados em um grupo que reúne mais de 20 profissionais brasileiros, todos atuando como voluntários, para tentar levar um pouco de esperança e desenvolvimento ao povo acolhedor, sorridente e pacífico da comunidade de Fendell. É o mínimo que a vida e que aquelas crianças podem esperar de nós.

Quem estiver interessado em conhecer mais do projeto, pode acessar:

Neste endereço, você encontrará uma loja online onde pode realizar sua doação comprando algum dos produtos ali oferecidos.

Muito obrigado por chegar até aqui!

Tem muita coisa errada neste mundo sem compaixão de que nos falou Hegel, mas não é por isso que deixaremos de lutar para torná-lo um pouco menos desumano.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Os resignificados dos espaços públicos em Pouso Alegre

Ana Eugênia Nunes de Andrade

Falar dos resignificados da cidade implica estabelecer conexões variadas com a própria experiência de viver em cidades. As marcas de afetividade compõem um acervo especial aos citadinos ao longo do tempo. Lembranças, sentidos, imagens, discursos se movimentam na memória coletiva. Essas marcas indicam códigos culturais que são carregados de conflitos, de ideologia, de resistências frente as práticas políticas que resignificam as imagens na cidade, reorganizando os sentidos pela memória hegemônica.

Podemos dizer que a materialidade da cidade está representada nos edifícios, nas ruas e avenidas, nos monumentos, nos prédios.

Para exemplificar os sentidos da cidade, vamos analisar os resignificados da Estação Ferroviária de Pouso Alegre.  Partimos da seguinte reflexão: qual a função social destinada nos diferentes tempos? Quais os significados atribuídos a Estação Ferroviária na cidade? Quais os elementos simbólicos desse espaço reconstruído ao longo dos anos.

Pertencer à cidade implica vivenciar experiências sempre remodeladas ao longo do tempo. Estas práticas cotidianas são reconstruídas pelo pensamento e pela ação dos sujeitos sociais que criam a cada tempo outras cidades na cidade.

A cidade é um espaço de sociabilidades nela estão inseridos atores que dialogam suas relações sociais e que muitas vezes se opõem as decisões do poder público. Além disso, os significados da cidade estão nos espaços públicos sendo atribuídos sentidos que se manifestam a partir das diversas memórias.


Na fotografia da Estação Ferroviária de Pouso Alegre de 1904, cinco anos após a Proclamação da República no Brasil, pode-se observar a relação dos habitantes da cidade com o espaço. Além da plataforma, a estação ainda abrigava uma sala para o telégrafo, bilheteria, um amplo armazém que abrigava a carga que seria despachada ou recebida, sala de espera e sanitários: masculino e feminino. Os homens que estão esperando o trem usavam como era comum àquela época terno, gravata e chapéu. Já os que estão nas ruas se vestem de uma maneira mais simples. Podemos ver também uma criança enchendo uma lata d água no chafariz, e alguns homens negociando seus produtos, era um espaço vivo da cidade.  No cruzamento da atual Avenida Doutor Lisboa com a Avenida Vicente Simões, podemos observar que as ruas eram de terra. Em torno do prédio podemos notar que os meios de transporte eram carroças e carros puxados por animais. Homens de diferentes classes sociais moldam o cenário da cidade. A fotografia mostra os conflitos da época, de um lado a presença do desenvolvimento e do progresso simbolizados na Estação, do outro lado, traços rurais da cidade, coexistindo com os ideais republicanos da época.


Nesta fotografia da década de 30 percebemos mudanças em torno da Estação. É nítido o aumento do fluxo de pessoas em volta do prédio (homens, mulheres e crianças). Ao fundo a direita, podemos notar a presença de carroças e animais, mas também aparecem automóveis, símbolos da modernidade, nas ruas empoeiradas da cidade. Elementos simbólicos do rural e do urbano mostram o espaço resignificado pelas práticas sociais. Os ideais de progresso da década de 30 estão pautados na ideia de modernização, tendo como pano de fundo a  industrialização que começa a aparecer no país.


Já nesta imagem da década de 80, período em que a Estação Ferroviária foi desativada, podemos perceber mudanças no espaço urbano, as ruas estão calçadas de paralelepípedos, e em torno do prédio percebe-se o aparecimento de moradias residenciais. No chão, os trilhos por onde passavam os vagões e muitas histórias de vida, perdem o sentido e o lugar remete a uma cidade fantasma, que novamente é resignificada pelas políticas públicas vigentes. Os atores sociais que vivenciarem experiências em torno do cruzamento das duas artérias centrais da cidade são outros. Cabe aqui, ressaltar que neste período o Brasil era governado pelos militares que discursavam os ideais do Milagre Econômico. Muitas indústrias estrangeiras investiram capital no país, principalmente, as do setor automobilístico. Os trens deram lugar a malha rodoviária, mas o prédio e seus significados permaneceram vivos nas lembranças dos sujeitos sociais que circulavam e trabalhavam na Estação.




Em 1988, o prédio da Estação foi reformado e adaptado para abrigar a “Casa da Cultura Menotti Del Picchia”, tendo funcionado aqui uma galeria de artes plásticas, a Secretaria Municipal de Cultura e a Biblioteca Municipal “Prisciliana Duarte de Almeida”.  Menotti Del Picchia, um dos líderes da Semana de Arte Moderna de 1922, o príncipe dos poetas brasileiros estudou no Ginásio Diocesano São José, de Pouso Alegre. Durante os tempos de colégio na cidade escreveu seus primeiros poemas, dirigiu o jornalzinho o Mandu, e recebeu da Câmara Municipal, o título de cidadão pouso-alegrense.

A partir desta data, o espaço público é resignificado, nele é estampada a marca da cultura da cidade.  O local anteriormente marcado por lembranças do vai e vem dos vagões do trem, é simbolizado pelas práticas culturais dos artistas da cidade e região e pelos admiradores das diversas expressões artísticas que ali eram produzidas e expostas. Outros discursos são ecoados, outras imagens são projetadas, outras histórias são contadas, outros conflitos habitam o espaço.


Atualmente o prédio é utilizado como o Centro de Convivência do Idoso. “O tombamento da Estação Ferroviária ocorreu em 1999 com o decreto nº 2349/99.” Percebemos aqui outra marca no prédio, em outro lugar da edificação, com outros sentidos expostos da logomarca que se inscreve no local: Centro Cultural de Convivência do Idoso, ao analisarmos os dizeres atuais, notamos que o espaço agora não é mais o espaço da cultura, mas sim, de um determinado grupo social, limitou-se as práticas vivências neste espaço público. Por que a administração pública resignificou este espaço público ? Por que a administração atual mantém esta significação atual? Que interesses estão em jogo?  

sábado, 20 de agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Batismo de Sangue

Curso de História da Univás marca presença no Encontro de História Oral na USP

Isso é fazer História na Univás!

X Encontro Regional Sudeste de História Oral
Diversidade e diálogo
16 a 18 de agosto de 2011
Universidade de São Paulo

Comunicação Oral

CAMINHANTES DA CIDADE: HOMENS E MULHERES
“POPULARES” DAS RUAS DE POUSO ALEGRE – MG
Alessandra Mara Rosa Mello (Univás); Andrea Silva Domingues (Univás)


A pesquisa intitulada Caminhantes da cidade: Homens e Mulheres “populares” das ruas de Pouso Alegre – MG tem como intuito refletir as práticas culturais de homens e mulheres, que se tornaram populares nas ruas da cidade, bem como a sua influência na sociedade pouso alegrense. Adotamos como metodologia a pesquisa bibliográfica, documentos oficiais do município, mas principalmente a prática da história oral, através de entrevistas de trajetórias de vida, diálogos soltos, que são construídos juntamente com os nossos depoentes. A realização da pesquisa possibilita a reflexão sobre as muitas memórias e histórias que cercam o cotidiano desses agentes históricos, considerados populares, analisando suas trajetórias de vida, costumes, relações culturais e sociais dentro da cidade e seus diferentes espaços nos levam a uma discussão constante sobre o significado da história oral como método de pesquisa e análise na história social.

O MOVIMENTO UNDERGROUND EM POUSO ALEGRE/MG (1985-2010)
Alexandre Lopes Costa; Ana Eugênia Nunes de Andrade (Univás)


A pesquisa “O movimento underground em Pouso Alegre/MG” (1985-2010) tem como objetivo trazer uma nova abordagem sobre esta manifestação cultural. Este movimento é constituído por apreciadores e músicos ligados o rock e a subgêneros do estilo. Através da História Oral e da análise de fontes como fotografias e cartazes buscamos levantar questões que permitissem um novo olhar frente aos seguidores do movimento. De acordo com os depoimentos e informações contidas nas fontes de pesquisa foi possível observar a existência de um movimento que luta contra o preconceito e estereótipos de julgamentos, muitas vezes feitos de forma equivocada pela sociedade. Percebeu-se a existência de estratégias dos sujeitos integrados ao movimento para a permanência, resistência e sobrevivência deste. Há também rupturas que ocorrem durante o período estudado como falta de apoio financeiro e de espaços físicos para realização dos shows, bem como a inclusão do movimento na cena cultural da cidade.

CULTURA, IDENTIDADE E MEMÓRIA: O FESTEJO DE NOSSA
SENHORA DO ROSÁRIO EM SILVIANÓPOLIS-MG
Andrea Silva Domingues (Univás)


A pesquisa teve como objetivo estudar as diferentes práticas culturais, constituídos no cotidiano do espaço urbano e rural; a partir das trajetórias de vida e lutas sociais dos agentes históricos que participam da festa de Nossa Senhora do Rosário, em Silvianópolis,Minas Gerais, realizada a mais de duzentos anos.O estudo desenvolveu-se através da prática da História Oral compreendendo as recordações dos depoentes expressões de diferentes tempos vividos, experimentados individual e socialmente; que possibilitou perceber nas narrativas orais o ir e vir da memória, a reflexão sobre a diversidade das experiências vividas por cada um, seus pontos de semelhança e suas diferenças, e também pontos de convergências e tensões. Como parte das conclusões a festa foi e é pensada, como uma tradição atualizada e ao mesmo tempo em transformação, que se constitui nas experiências sociais diversas, instituindo um campo de memórias atravessado pelos conflitos de classe, que nos conduz a outras histórias.

Pôsteres

Memórias e experiências dos nordestinos do bairro Faisqueira na cidade de Pouso Alegre – MG
Bárbara Cristine Casallechi Fonseca Simões, Andréa Silva Domingues

As políticas de remodelação urbana no Mercado Municipal de Pouso Alegre – MG
Fernando Henrique do Vale, Ana Eugênia Nunes de Andrade, Andréa Silva Domingues 

Cultura e memória: o festejo de Nossa Senhora do Carmo em Borda da Mata – MG
Cleyton Antônio da Costa, Andréa Silva Domingues

domingo, 24 de julho de 2011

6º Fórum Sul Mineiro de Cultura


Dias 17 e 18 - 4ª e 5ª feiras
8h às 18h - Oficina de Elaboração de Projetos Culturais (50 vagas) "Cidades e políticas públicas de cultura"

Dia 23 de agosto - 3ª feira
14h - Tema: Iceberg da produção artística
Maestro Jean Reis - São Paulo

15h - Tema: "El Sistema" um modelo a ser seguido
Profª Regina Rezende Vilela - Pouso Alegre

16hCoffe break

20h30 - Apresentação Big Band do Conservatório
Local: Auditório do Conservatório

Dia 24 de agosto - quarta-feira
14h - Tema: "Os (re)significados dos espaços públicos".
Profª Ana Eugênia Nunes de Andrade - Univás - Pouso Alegre

15h - Tema: "Resgate histórico-cultural de Pouso Alegre"
Profª Maristela Saponara

15h40 - Coffee break

16h - Tema: "A cultura como conteúdo curricular na formação do engenheiro"
Profº Wander Chaves - Inatel - Santa Rita do Sapucaí

17h30 - Exibição de curtas-metragens do NIC (Núcleo Independente de Cinema)

20h - Apresentação do violonista Ulisses Rocha - Campinas
Lançamento do CD "Só"
Local: Auditório do Conservatório

Dia 25 de agosto - quinta-feira
Seminário Cidades e Políticas Públicas
9h às 12h30 - Estado e Políticas Públicas de Cultura: os desafios da descentralização
Mônica Starling - Fundação João Pinheiro - MG

A cultura no âmbito federal: leis, programas e municipalização
Lia Calabre - Fundação Casa de Rui Barbosa - Ministério da Cultura - RJ

14h às 18h - Direito e Cultura: uma análise da legislação cultural do Brasil e sua interlocução com os municípios - Rafael Neumayr - Drumond & Neumayr - MG

Cultura e desenvolvimento local: apresentação de estudos de casos - Rômulo Avelar - gestor cultural e autor de "O avesso da cena" - MG

18h - Encerramento e recolhimento das sugestões para a elaboração do documento conclusivo do 6º Fórum Sul Mineiro de Cultura

20h - Apresentação do Grupo Le Bizarre
Local: Auditório do Conservatório

Programação paralela
Exposição de fotografias "Outro olhar"
FCPA - Foto Clube Pouso Alegre
Local: Galeria do Conservatório

Exposição "Brasil Cultural"
Alunos do Curso de Design de Interiores
Salas: 1, 2, 3 - Conservatório

Caipirarte
Oficinas, apresentações musicais, apresentação de dança, vídeos, gincana, barracas com comidas típicas,

Eleição do Conselho Municipal de Cultura: durante todos os dias estará aberto o cadastramento para a eleição do Conselho Municipal de Cultura, que ocorrerá no dia 25, a partir das 14h, no Conservatório.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Univás lança curso Sequencial em História



Curso Sequencial em História
Período de inscrição: 27 de junho a 02 de agosto de 2011
Valor da taxa de inscrição: R$25 reais
Local: Unidade Fátima
Valor do curso: 5 parcelas de R$30 reais

A Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) abriu vagas para o curso Sequencial Superior de Complementação de Estudos referente à Nova História - métodos e pesquisa. As inscrições já estão abertas.

O curso Sequencial em História da Univás é uma oportunidade para as pessoas que gostam dessa área do saber e não tem condições de frequentar um curso de graduação em História de maneira regular, ou ainda por aqueles que procuram formação superior alternativa além da convencional, capacitação profissional ou apenas prazer em estar num espaço universitário.

O curso Sequencial e de Complementação Pedagógica da Univás capacitará e formará alunos que tenham concluído o Ensino Médio ou Superior. "Constituir um espaço de discussão sobre o movimento da História e as novas formas de ensino e pesquisa, capacitar professores de História que já atuam na rede de ensino e que não tiveram a oportunidade de aprender a Nova História, oportunizar um aprendizado para os alunos que já possuem graduação em preparar projetos de pós-graduação são alguns dos objetivos desse nosso curso sequencial", comenta a coordenadora do curso de História da Univás, professora Andrea Silva Domingues. 


Integrar alunos de diferentes idades no ambiente universitário e em especial a terceira idade, atender à demanda por formação em campos específicos do saber histórico, oferecer condições para acesso e qualificação de conhecimentos em complementação à formação superior também são metas deste novo curso.

A coordenadora do curso de História da Univás ainda lembra que os estudos realizados no curso Sequencial podem vir a ser aproveitados para integralização de carga horária "exigida para curso de Licenciatura em História, desde que os interessados cumpram os requisitos de ingresso no referido curso e, depois de matriculados, requeiram o aproveitamento dos estudos realizados no curso sequencial", disse.

As inscrições podem ser feitas na unidade Fátima da Univás ou pelo site: 
www.univas.edu.br 
. Informações pelo telefone: (35) 3449 2119 ou 8858 1990.

Por Lucas Silveira
Ascom/Fuvs

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ecos marcados na rua Comendador José Garcia



A autora do livro Ecos marcados na rua: o cotidiano e as memórias na rua Comendador José Garcia, Alessandra Maria Rosa de Mello é graduada em História pela Universidade do Vale do Sapucaí e especialista em História, Sociedade e Cultura. Durante entrevista concedida aos repórteres André Almeida e Carla Barbosa do Bloco de Notícias ela afirma que a rua surge não somente como um caminho, mas uma artéria dando vida ao seu trajeto, mostrando as marcas tatuadas em suas margens.


BN - Como surgiu a ideia do livro “Ecos Marcados na Rua”?

A.M - Surgiu com o trabalho de conclusão de curso que eu fiz para o curso de história e pela paixão que eu tenho pela a nossa cidade de pesquisar mais sobre essas pessoas que dão nome as ruas e sobre 
os prédios arquitetônicos da nossa cidade.

BN - Como foi o processo de produção editorial do livro ?

A.M - Foi um processo difícil, é uma coisa complicada, muito minuciosa, mas é gostoso também, e foi 
bem legal.

BN - De todas as histórias dos comerciantes da rua descritas no livro, qual foi a que mais te impressionou?

A.M - Foi a do seu Leone, que ele fala assim “colei na comendador” que desde quando ele chegou em Pouso Alegre foi na rua que ele montou o comércio dele, construiu sua casa e está vivo até hoje com 91 anos de idade, e da dona Terezinha foi um relato muito sentimental para a sua família, o pai dela tinha 
um comércio no local.

BN - Que características da rua comendador José Garcia foram marcantes ao longo do seu estudo?


A.M - Quando eu comecei a entrevistar as pessoas, eles falavam que antes de 1943 a rua era de terra e tinha muitas porteiras e perto da Casa Sarkis tinha uma ferraria, o que eu penso é a transformação 
da rua mesmo, com a sua mudança se tornou uma rua comercial.

BN - Qual foi a importância de José Garcia Machado para a cidade de Pouso Alegre?

A.M - Foi uma pessoa muito importante para a cidade, ele ajudou a implantar asilos, hospitais e na construção da catedral anterior a essa, inclusive doando o terreno.

BN - Como foi a transformação da rua comendador José Garcia desde o início de sua existência, até os dias de hoje?

A.M - Foi uma transformação radical, ela era totalmente ruralizada, tinha matos, porteiras, vacas e cavalos, e hoje a gente só vê carros, motos, pessoas e comércios.

BN - Qual é o público alvo que você pretende atingir?

A.M - No começo seriam os estudantes de história, porque eu utilizei muito da história oral, mas agora eu já percebi que as pessoas mesmo fora da universidade também estão se interessando pelo livro.

BN - Por que foi escolhida a rua Comendador José Garcia?

A.M- A gente encontra muitos relatos da praça Senador José Bento, da Dr. Lisboa, do Mercado Municipal, do Teatro e da Comendador a gente quase não encontra nada. Nem quem era o comendador eu sabia. Não tem foto dele em nenhum lugar na cidade. Eu consegui com uma bisneta dele em um acervo familiar. Então isso me interessou, e eu também já morei na rua, então tem essa coisa sentimental que se misturou e acabou resultando nessa pesquisa.

BN - A história pode ser entendida como o conjunto das experiências humanas. Baseado nisso, quais as principais experiências que podemos dizer ter constituído a história da rua?
A.M - As experiências foram muitas, principalmente dos comerciantes por ser uma rua central da cidade e começaram a se apaixonar pelo lugar. As experiências são desde os causos de histórias engraçadas, até pessoas que se emocionaram ao ponto de chorar. Também a gente pode perceber o cemitério na rua que mostra a tristeza das pessoas que passam por ela, então são vários tipos de emoções misturadas.

BN- A rua Comendador José Garcia foi se tornando a veia comercial, o que isso interfere ou modifica na narrativa de sua história?

A. M - Eu a entendo como uma artéria principal, ela vai interligando todas as ruas do centro para os bairros, então pra mim, isso seria o principal do trabalho, uma rua comercial, uma artéria da cidade de Pouso Alegre.

BN - Há muitas edificações preservadas na rua?

A.M - Não, Pouso Alegre não tem essa cultura de preservação.

BN- Há alguma semelhança da antiga Comendador com a atual sem levarmos em conta as edificações?

A.M - De 1943 pra cá tem alguns edifícios que persistiram ao movimento da rua, mas como eram mesmo não.

BN - Podemos dizer que o antigo Hospital Regional, e hoje Samuel Libânio, foi o principal responsável pela popularização da rua?

A.M - Ele foi responsável por trazer a população, e não é só o hospital, junto com ele, barzinhos para poder atender os transeuntes que esperavam por atendimento, os consultórios médicos que tem aos arredores, enfim, tem que ter certa infraestrutura pra manter aquele hospital.

BN- Como registrar fatos importantes da história e da memória de pessoas e instituições pode contribuir com valores pedagógicos?

A.M - Seria trazer para educação, para sala de aula essas novas fontes históricas, trazer os filmes, os vídeos, as fotografias, as imagens, as interpretações, não só como os livros estão acostumados a utilizar. A imagem não é uma ilustração, ela tem que conversar com o texto.

BN- Você teve alguma dificuldade na elaboração do livro?

A.M - Algumas entrevistas não foram realizadas, muitas pessoas negaram, não sei se por vergonha, muitas vezes as pessoas marcavam e não apareciam.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Monografias 2011

O curso de História da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) realizará na próxima semana, entre os dias 15 e 17 de junho, as apresentações das monografias elaboradas pelos acadêmicos como trabalho de conclusão de curso.

Cronograma

Dia: 15/06/2011

Acadêmico
 : Flávio Alessandro
Tema: Cinema de Cambuí
Orientadora : Elizabete Maria Espíndola
Banca: Andréa Silva Domingues e Rubens Laraia
Horário: 18h50

Acadêmico : Pâmela de Melo Silva
Tema: Os feirantes de Pouso ALegre
Orientadora : Andréa Silva Domingues
Banca: Juliano Hiroshi e Rubens Laraia
Horário: 19h40

Acadêmico : Mirelli Monteiro Machado e Oliveira
Tema: Festa de São João Batista, Tradição e Memória em Cachoeira de Minas
Orientadora : Andréa Silva Domingues
Banca: Elizabete Maria Espíndola e Juliano Hiroshi
Horário: 20h45

Acadêmico : Daniela Ferreira de Lima
Tema: A festa do Biscoito e os derivados da Mandioca
Orientadora : Juliano Hiroshi
Banca: Andréa Domingues Silva e Ana Rosa Nunes de Andrade
Horário: 21h35

Dia 16/06/2011

Acadêmico
 : Maria Rachel Carneiro Pinto e Cintra
Tema: Cazuza
Orientadora : Elizabete Maria Espíndola
Banca: Andréa Domingues Silva e Lauro José Siqueira Baldini
Horário: 18h

Acadêmico : Robson Machado
Tema: A questão indígena: o índio no livro didático utilizado no ensino público de Minas Gerais
Orientadora : Ana Eugênia Nunes de Andrade
Banca: Elizabete Maira Espíndola e Lauro José Siqueira Baldini
Horário: 18h50

Acadêmico : Varlei Rodrigo do Couto
Tema: "De mal necesário a problema da cidade". A formação do imaginário social em torno da prostituição feminina de Pouso Alegre (1969-1989)
Orientadora : Elizabete Maria Espíndola
Banca: Andréa Domingues Silva e Lauro José Siqueira Baldini
Horário: 19h40

Acadêmico : Allyson Eduardo da Silva Lima
Tema: "A caça e o caçador entram em extinção: os pescadores de Pouso Alegre nas águas do rio Sapucaí"
Orientadora : Juliano Hiroshi
Banca: Elizabete Maria Espíndola e Rubens Laraia
Horário: 20h45

Dia 17/06/2011

Acadêmico
 : Sâmara Carvalho da Silva
Tema: Carnaval de Pouso Alegre: cultura e resistência
Orientadora : Juliano Hiroshi
Banca: Andréa Silva Domingues e Rubens Laraia
Horário: 17h

Acadêmico : Kênia Esper Ferreira dos Reis
Tema: A lei 10639/03 no ensino privado de Pouso Alegre em estudo no colégio Objetivo
Orientadora : Andréa Silva Domingues
Banca: Marilda Laraia e Alexandre Brianese
Horário: 18h50

Acadêmico : Jéferson Tadeu Martins
Tema: A oposição à ditadura militar nos livros didáticos de História
Orientadora : Ana Eugênia Nunes de Andrade
Banca: Ana Rosa Nunes de Andrade e Alexandre Brianese
Horário: 19h40

Formação complementar

A professora do curso de História da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Ana Eugênia Nunes de Andrade e acadêmicos de diversos períodos finalizaram o curso "São Paulo: História e fragmentos de uma metrópole" , promovido pelo Mosteiro de São Bento.

sábado, 4 de junho de 2011

Lançamento do livro

Alessandra Mara, ex-aluna do curso de história da Univás

Sinopse: A rua Comendador José Garcia traz consigo memória, patrimônio e práticas culturais diversas que permanecem nas lembranças individuais e sociais dos seus moradores e comerciantes, compondo uma parte da história pouso alegrense. A cidade é um espaço que nos convida a observar diferentes atores sociais em um infinito de relações, reconstituídos por lembranças de homens e mulheres de várias gerações, que projetam seus desejos, anseios, tristezas, alegrias em vários tempos da memória na arte de falar. É neste espaço de muitas histórias que percebemos os esquecimentos da formação social, que se desmancha na universalidade da cidade.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Professores de História apresentarão trabalhos em Simpósio Nacional

Isso é fazer História na Univás!

Os professores do curso de História da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) Ana Eugênia Nunes de Andrade, Andrea Silva Domingues e José Roberto Gonçalves receberam o aceite para a apresentação de trabalhos durante o XXVI Simpósio Nacional de História, que acontecerá entre os dias 17 e 22 de julho, na Universidade de São Paulo (USP).

O Simpósio é promovido pela Associação Nacional de História (ANPUH), que este ano completa 50 anos de criação. A Associação que no início chamava Associação Nacional dos Professores Universitários de História reúne professores de História de todos os níveis e historiadores que atuam nas instituições voltadas ao patrimônio histórico.

A professora Ana Eugênia apresentará o trabalho "As Políticas de Remodelação Urbana no Mercado Municipal de Pouso Alegre (1940-1970), dentro do Grupo Temático "Cidade e memória social". 

Já a coordenadora do curso de História da Univás, professora Andrea Silva, dentro do Grupo Temático "De narrativas e narradores: a história oral nas investigações sobre trabalho e trabalhadores no campo e na cidade", apresentará a pesquisa "Cultura e identidade: 'Festa da igreja para os padres, e a festa de Nossa Senhora para as pessoas do cativeiro'". 

"Fotografia de imprensa em sala de aula: usos e reflexões" é o título do trabalho que o professor José Roberto Gonçalves apresentará no Grupo Temático "Formação de Professores, Ensino de História e Contemporaneidade". 

Por Cyntia Andrade

Ascom/Fuvs

quarta-feira, 18 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

FliPoços

Alunos de História da Univás na palestra de Ariano Suassuna