segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

XIV Semana de História/II Encontro de Pesquisadores de História



Resumos
Anais Eletrônicos da XIV Semana de História e Meio Ambiente
 II Encontro dos Pesquisadores de História 

Comissão Organizadora
Alexandre Carvalho de Andrade
Ana Eugênia Nunes de Andrade
Juliano Hiroshi Ikeda Ishimura
  
A PRÁTICA DO SKATE NA CIDADE DE POUSO ALEGRE/MG: ENSAIOS POLÍTICOS DA JUVENTUDE

ALEXANDRE SILVA MENDES
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG

ALEXANDRE CARVALHO DE ANDRADE
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre; Universidade Estadual Paulista - Rio Claro/SP

RESUMO: O presente artigo tem por objetivo analisar as transformações que envolveram o comportamento dos jovens na cidade de Pouso Alegre a partir da prática do skate. Este esporte tão comum à paisagem urbana, sempre esteve envolto em questões polêmicas e na referida cidade não foi diferente. De um lado analisamos o crescimento populacional e econômico da cidade de Pouso Alegre e paralelamente o poder de articulação que o jovem passou a sustentar, desde a metade do século XX.

Palavras- chave: Skate. Juventude. Cidade.

“QUE SARNEY É ESSE”? O GRITO DE PROTESTO NAS LETRAS DO ROCK NACIONAL (1985-1989)

ANA PAULA DE PÁDUA
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG

ANA EUGÊNIA NUNES DE ANDRADE
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG; Pontifícia Universidade Católica/SP

Resumo: O presente artigo propõe a análise das letras do rock nacional no período de 1985 a 1989, Focamos o inicio da redemocratização, a Constituição de 88 e os diversos planos adotados no governo de Sarney para a contenção da inflação. Para tanto, selecionamos sete letras de canções de bandas diversas que permitiram uma reflexão do contexto histórico. A música é uma expressão do pensamento do compositor, que se vê envolvido com as causas que interferem no seu cotidiano.

Palavras-chave: Rock. Política. Década de 80.

ENTRE CULTURAS E SOCIEDADE: A FESTA NORDESTINA COMO PONTO DE ENCONTRO EM POUSO ALEGRE/MG

BÁRBARA CRISTINE CASALLECHI FONSECA SIMÕES
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG

ANDREA SILVA DOMINGUES
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG
  
Resumo: Ao desenvolvermos uma pesquisa inicial sobre a trajetória de vida de homens e mulheres que se deslocaram socialmente do nordeste brasileiro para a cidade de Pouso Alegre – MG buscou-se, neste artigo, trabalhar as práticas culturais nordestinas que permaneceram no cotidiano da cidade e como estas contribuíram e contribuem para a construção e/ou desconstrução da identidade destes personagens. Ao nos aproximar do objeto de estudo de maneira tão singular, o trabalho com a história oral serviu de guia para compreendermos as resignificações desses sujeitos que se dão através das evidências produzidas a partir da relação entre linguagem e mundo. Entendendo a Festa Nordestina, em suas variadas concepções, como ponto de encontro cultural e social, buscamos, através da análise dos depoimentos, o ir e vir das memórias coletadas, onde a maneira pela qual essas narrativas tomam forma é de fundamental importância na prática da escrita da história, pois essas memórias não permanecem estáticas, elas se movimentam. Nelas observamos as razões de se enaltecer certas lembranças e “esquecer” outras. O “não dito” se torna parte fundamental desse trabalho por entendermos que as experiências desses migrantes influem a todo o momento na constituição de suas memórias e de sua identidade como sujeitos ativos na cidade.

Palavras-chave: Nordestinos. Migração. Cultura.

“ficava todo mundo lá em cima, perto da quermesse”: memórias e sociabilidades dos festejos de 16 de julho em Borda da Mata/MG

cleyton antonio da costa
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/SP

maRIA DO ROSÁRIO CUNHA pEIXOTO
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/SP

Resumo: O presente artigo tem como objetivo elencar a sociabilidade que se fez e faz presente nos dias de festejos na cidade de Borda da Mata, localizada no Sul de Minas Gerais. Trabalhando metodologicamente com a prática da História Oral e com os cruzamentos de outras fontes como jornais e fotografias podem-se vislumbrar os diferentes olhares e experiências que permeiam as festividades de 16 de julho. Desta forma, é possível evidenciar diferentes sujeitos sociais que participaram e participam das festividades que oportunizam compreender e discutir diversas experiências e memórias.

Palavras-Chave: Festa. Sociabilidade. Memória.

NEM SÓ DE FILÓSOFOS VIVE ATENAS: AS REPRESENTAÇÕES DO RURAL PELOS MEMORIALISTAS CAMANDUCAIENSES

DANILO ANTONIO DOS SANTOS
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG

Resumo: Neste artigo analisamos as representações do rural por dois memorialistas camanducaienses. Por ser um município que teve intensa relação com práticas rurais, entendemos que os homens campesinos foram excluídos da historiografia oficial, sendo representados de formas pejorativas pelas elites letradas. Para essas elites, o município era a terra dos filósofos e por isso a chamaram de Atenas do Sul de Minas. Portanto, a exaltação dos aspectos considerados eruditos, legou ao rural as representações de arcaico e incivilizado.

Palavras-Chave: Camanducaia. Rural. Memorialistas.

E SE CONSOLIDOU A SOCIEDADE URBANA: PARA O BENEFÍCIO DE QUEM?

DIEGO GARCIA DE CARVALHO
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG

ALEXANDRE CARVALHO DE ANDRADE
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre; Universidade Estadual Paulista - Rio Claro/SP

Resumo: Os processos de consolidação do espaço urbano se concretizam mediante as intervenções da sociedade sobre o meio em que vive. |Partindo do pressuposto que esta interação reflete diretamente no cotidiano dos sujeitos sociais, este trabalho propõe uma análise dos impactos gerados por essa interação entre homem e meio ambiente nas cidades. Portanto, é de considerável pertinência a compreensão das relações econômicas, espaciais e socioculturais que ocorreram nos processos históricos de formação das cidades, para, assim, entender as dinâmicas dos espaços urbanos atuais.

Palavras Chave: Espaço. Cidade. Urbanização.

DINÂMICAS DA CIDADE: O MERCADO MUNICIPAL DE POUSO ALEGRE/MG (1970-2004)

FERNANDO HENRIQUE DO VALE
Universidade do Vale do Sapucaí/ Pouso Alegre/MG

ANA EUGÊNIA NUNES DE ANDRADE
Universidade do Vale do Sapucaí/ Pouso Alegre/MG; Pontifícia Universidade Católica/SP

Resumo: No artigo indagamos o crescimento da cidade com a vinda de indústrias e novas tecnologias. Há um aumento populacional significativo, transformando assim as dinâmicas dos sujeitos sociais. Os discursos dos políticos enfatizam os aspectos econômicos. O Mercado passa por outra reforma, chamando a atenção de turistas e dos moradores da região. Com isso, as práticas culturais acabam sendo sufocadas em virtude de outros investimentos e interesses políticos, sendo que algumas ainda mantêm-se vivas em resistência às novas tendências do comércio.

Palavras-Chave: Industrialização. Mercado. Políticas Públicas.

DANÇAS, MEMÓRIAS E RESISTÊNCIA NO ARRAIÁ DO ZÉ BAGUNÇA EM BUENO BRANDÃO/MG

JOÃO MARCOS ALEXANDRE
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG

ELIZABETE MARIA ESPÍNDOLA
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre; Universidade Federal de Minas Gerais

RESUMO: este artigo busca apresentar algumas considerações sobre a pesquisa em desenvolvimento com a temática O Arraiá do Zé Bagunça em Bueno Brandão MG. Estudo que busca compreender o surgimento desta festa de caráter popular, os sujeitos sociais que dela participam e os muitos momentos que a festa disponibiliza a quem participa como as danças e as manifestações culturais como forma de resistência. Nosso intuito é conhecer e compreender as transformações pelas quais as danças na festa têm passado desde sua criação até os dias atuais, bem como as tensões oriundas, os embates e disputas de poder. Tal festejo ocorre anualmente no mês de julho desde aproximadamente o início da década de 80.

Palavras-chave: Dança. Memória. Festa. Cultura Popular.

MEMÓRIAS REVELADAS: MUSEU HISTÓRICO MUNICIPAL TUANY TOLEDO DE POUSO ALEGRE/MG

LUANA TAIS DOS SANTOS
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG

ANA EUGÊNIA NUNES DE ANDRADE
Universidade do Vale do Sapucaí/ Pouso Alegre/MG; Pontifícia Universidade Católica/SP

Resumo: O presente artigo propõe compreender os caminhos percorridos para a criação, organização e o cotidiano da primeira exposição de objetos antigos de Pouso Alegre. Analisamos a história da cidade, o cotidiano e as mentalidades presentes na sociedade nas décadas 1950 e 1960. Dirigimos nosso olhar a “Avenida Doutor Lisboa”, pois era ali que se localizava uma distinta loja chamada Casa Vitale, que foi palco da primeira exposição na cidade, para então se formar o embrião que daria em 02 de abril de 1990 origem ao MHMTT local destinado as memórias da cidade.

Palavras-chave: Museu. Avenida Doutor Lisboa. Memória.

CONSTRUÍNDO PARENTADO: ALIANÇAS MATRIMONIAIS NA ALTA SOCIEDADE DA FLORENÇA DO QUATTROCENTO

MARIA VERONICA PEREZ FALLABRINO
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/SP

Resumo: O presente artigo se propõe considerar as alianças matrimoniais forjadas pela elite mercantil da Florença do Quattrocento sob o viés de elemento propulsor de vínculos sociais, políticos e econômicos úteis para honrar o prestígio das famílias e assegurar vínculos de solidariedade nos bastidores da vida pública. Nessa perspectiva, serão analisados tratados, cartas e diários pessoais da época, para ter contato não só com os valores dessa sociedade, mas com as experiências subjetivas.

Palavras-Chave: Casamento. Sociedade mercantil. Florença.

Dizeres, memória, sentidos: as experiências dos alunos da EJA em Pouso Alegre/MG

marilda de castro laraia
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG

RESUMO: Esta pesquisa teve como objetivo entender as diferentes formações discursivas na prática pedagógica do Ensino da EJA na cidade de Pouso Alegre, perceber as diferentes memórias e sentidos que estas possuem na construção do processo de identificação de seus educandos, bem como entender quais as formas discursivas que emergem do processo de ensino aprendizagem e seu significado.

Palavras-chave: EJA. Memória. Sentido.

O CARNAVAL: DISPUTAS E TENSÕES EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ/MG

PAOLA NERY DE CARLI
Universidade do Vale do Sapucaí/ Pouso Alegre/MG

ANDRÉA SILVA DOMINGUES
Universidade do Vale do Sapucaí/ Pouso Alegre/MG

Resumo: Este artigo propõe problematizar as disputas e formas de constituição do Carnaval na cidade de Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais, interpretando a ação dos diferentes agentes sociais envolvidos na folia considerada por muitos a “mais retumbante festa pagã dessa zona sulina”, devido à rivalidade e suntuosidade dos dois principais blocos do município: Ride Palhaço e Democráticos, que são nossos dois principais objetos de análise. O recorte cronológico compreende as décadas de 1960 a 1990 em razão da expectativa gerada pelos blocos, os quais nesse período comemoraram bodas de prata e de ouro. Entretanto, ambos ficaram alguns anos sem desfilar, surgindo assim novos blocos, formados por aqueles que antes eram os expectadores e não tinham condição de desfilar nos carros alegóricos.

Palavras-Chave: Festa. Cultura. Memória.

saberes educacionais: a lei 10639/03 no ensino pÚblico estadual na cidade de Pouso Alegre-MG.

Bruna de Fátima Brito
Universidade do Vale do Sapucaí

Andrea Silva Domingues
Universidade do Vale do Sapucaí

Resumo: Neste artigo realizamos uma reflexão de como o negro é representado nos livros didáticos destinados ao ensino fundamental da rede pública estadual da cidade de Pouso Alegre-MG, discutimos a implementação da lei 10.639/03 que se refere a obrigatoriedade do ensino da cultura africana e afro-brasileira no sistema escolar. O objetivo central é compreender como está ocorrendo à implementação neste material didático, observando os diferentes discursos dos conteúdos trabalhados e a construção da imagem do negro dentro do sistema escolar na contemporaneidade; bem como a construção da identidade e suas representações dentro do processo de ensino aprendizagem.

Palavras- Chave: Cultura. Identidade. Discurso

GEO-HISTÓRIA: UMA PROPOSTA INTERDISCIPLINAR COM O JOGO “ROME: TOTAL WAR”

CÁSSIO RAFAEL MARTINS SANTOS
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG

JULIANO HIROSHI IKEDA ISHIMURA
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG
RESUMO: O presente artigo tem por objetivo, a partir do jogo para computador “Rome: Total War”, ambientado na Roma Antiga, com auxilio da interdisciplinaridade, demonstrar como o professor de História pode-se utilizar desta tecnologia juntamente com a disciplina de Geografia, a fim de mostrar como é importante o educador trabalhar em conjunto com outras disciplinas para termos um melhor entendimento da própria História. Aqui, mostraremos como tais disciplinas estão tão próximas, e que, através de uma nova metodologia, como podemos analisar os mapas existentes no jogo com os do Google Maps, e também os existentes na internet como fonte de pesquisa.

Palavras-Chave: Jogos Eletrônicos. Ensino de História. Geografia. Interdisciplinaridade.


IDENTIDADE, CULTURA, MEMÓRIA E RESISTENCIA PELAS PÁGINAS DO JORNAL 28 DE SETEMBRO EM POUSO ALEGRE/MG

JONATAS ROQUE RIBEIRO
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG

ELIZABETE MARIA ESPÍNDOLA
Universidade do Vale do Sapucaí/Pouso Alegre/MG; Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo: O presente artigo buscou analisar os discursos identitários do Jornal O 28 de Setembro, seguindo os procedimentos teórico-metodológicos apontado por Maria do Rosário da Cunha Peixoto e Heloísa de Faria Cruz no artigo “Na Oficina do Historiador: conversas sobre História e Imprensa”. O jornal foi produzido e mantido pelo Clube negro pousoalegrense 28 de Setembro. O Clube, ao longo de sua existência, evidenciou práticas culturais de afirmação e valorização da cultura, da identidade e da memória dos afrodescendentes, e uma destas práticas, foi o jornal O 28 de Setembro, que trazia em suas páginas os discursos e ideologias dos seus representantes, posicionando-se politicamente frente à sociedade pouso-alegrense.

Palavras-Chave: Linguagem. Discurso. Identidade.


UM JORNAL OPERÁRIO: RESISTÊNCIA E MILITÂNICA NOS TEMPOS DA DITADURA MILITAR

lUIS cLAUDIO DE aSSIS moTTA
Universidade do Vale do Sapucaí/ Pouso Alegre/MG

Resumo: Os jornais da chamada imprensa alternativa, como é o caso dos semanários de cunho sindicalista ou partidário, surgiram, ainda, no século XIX, com a formação das primeiras organizações operárias em nosso país, a partir da chegada dos imigrantes europeus. Estes jornais emprestaram sua capacidade de organização do proletariado à luta de resistência e conscientização do povo. No sentido de se contrapor ao Estado de exceção, durante a ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985, surge o “Tribuna da Luta Operária”, veículo representante dessa imprensa alternativa, que ajudou na retomada da democracia em nosso país, objeto este, que o presente artigo se propõe a apresentar.

Palavras-chave: Ditadura. Imprensa. Resistência


XIV Semana de História - História e Meio Ambiente

Programação


Dia 08 de maio

18h - Credenciamento

19h - Abertura Solene

19h30min - Conferência: História ambiental: novos rumos no campo da história - Dr. Eurípedes Furnes/ Universidade Federal do Ceará - UFC

21h - Café

Dia 09 de maio

14h - Grupos de Trabalho: comunicações coordenadas

16h - Cine Debate

Filme: As vinhas da ira

Debatedor: Alexandre Carvalho de Andrade

18h30min - Intervalo

19h - Conferência – História Ambiental e História Oral como possibilidade de pesquisa – Dr. Marcos Montysuma/Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

21h - Café

Dia 10 de maio

14h - Grupos de Trabalho – comunicações coordenadas.

19h - Encerramento das atividades – Tradicional Macarronada do curso de História (adesão).

Realização

Curso de História/Univás

Pró-reitoria de extensão e Assuntos Comunitários/Univás

Apoio

FUVS

Direção acadêmica da Unidade Fátima/Univás

Coordenação Geral

Andrea Silva Domingues

Elizabete Maria Espindola

Comissão Científica

Alexandre Carvalho de Andrade

Ana Eugênia Nunes de Andrade

Andrea Silva Domingues

Benedita Celeste de Moraes Pinto

Débora Raquel Hettwer Massmann

Elizabete Maria Espindola

Greciely Cristina da Costa

José Amilton de Souza

José Roberto Gonçalves

Juliano Histoshi Ikeda Ishimura

Comissão organizadora

Alexandre de Andrade Brianese

Ana Carolina Sales de Oliveira

Ana Rosa Nunes de Andrade

João Baptista de Almeida Junior

Julio de Moreira Gomes

Maria Lucia P. Saponara

Marilda de Castro Laraia

Rubens de Barros Laraia

Egressos do Curso de História

Alessandra Mara Rosa de Melo

Cleyton Antônio da Costa

Cristiano Guerra Leal

Diego Natali

Monitores

Acadêmicos do curso de história

Período de Inscrições


Participação
Investimento
Pagamento de Inscrições
Participante (individual) com apresentação de trabalho
30,00
25/02/2013 a 05/04/2013
Participante (em co-autoria) com apresentação de trabalho
30,00
25/02/2013 a 05/04/2013
Participante (ouvinte) sem apresentação de trabalho
25,00
25/02/2013 a 03/05/2013

OBSERVAÇÃO
 Prazo para ENVIO de artigos completos: até 05 de ABRIL de 2013 IMPRETERIVELMENTE


FICHA DE INSCRIÇÃO

Nome:
Endereço:
Cidade:                                     Estado:
Telefone:                
Celular:
E-mail:

Ouvinte (   )               com apresentação de trabalho (   )

OBS: QUEM FOR APRESENTAR TRABALHO DEVE VERIFICAR AS NORMAS NO BLOG:
http://narrativasdobrasil.blogspot.com.br/2013/02/xiv-semana-de-historia.html


Simpósios Temáticos

01. Dizeres em curso: Sentidos, História e Meio Ambiente
Coordenadores: Profª Drª Débora Raquel Hettwer Massmann (Univás), Profª Drª Greciely Cristina da Costa (Univás) e Profª Telma Domingues da Silva (Univás).

História e Meio Ambiente são temas que colocam em circulação memória, perspectivas, sentidos, dizeres em curso que ora se fundem ora se distinguem. Este grupo de trabalho acolhe pesquisas que tratam da produção e da circulação de discursos sobre o meio ambiente e sobre as mudanças ambientais, em especial aquelas que podem afetar e alterar o curso da história.  O debate sobre concepções religiosas, científicas e interesses políticos e/ou econômicos que tocam a questão do Meio Ambiente também constituem objeto de reflexão deste GT.

02. História, Natureza, Cultura e Oralidade
Coordenadores: Dr. Eurípedes Funes (UFCE) e Dr. Marcos Montysuma (UFSC) e Profº Ms. Alexandre Carvalho de Andrade (Univás/Unesp).

O estudo das relações entre o homem e seu ambiente, na perspectiva da história ambiental, um novo campo que vem se firmando na produção historiográfica brasileira nos últimos tempos. Trata-se de refletir a relação entre natureza e cultura, em suas múltiplas possibilidades. Neste sentido as temáticas e objetos de investigação são de possibilidades amplas, passando pelo processo de ocupação e exploração e transformação do meio ambiente e os impactos ambientais, os movimentos sociais migratórios e as lutas pelo direito aos bens da natureza em seus mais diferentes biomas. Debates sobre o desenvolvimento sustentável, o agronegócio, espaços de trabalho, ambiente fabril, moradia, memórias, entre tantos outros. As fontes para os estudos no campo da história ambiental são as mais diversas. Aqui nos interessam as comunicações que trazem como fontes fundamentais narrativas, depoimentos, memórias de sujeitos que vivenciaram experiências onde natureza e cultura se entrecruzam.

03. Espaço e sociabilidade
Coordenadores: Profº Dr. José Roberto Gonçalves (Univás); Profª Ms. Ana Eugênia Nunes de Andrade (Univás/PUC-SP) e Profº Ms. Juliano Hiroshi Ikeda (Univás).

Estudos que tenham como objetivo as configurações assumidas pelas sociedades, as relações entre grupos, indivíduos e movimentos, bem como práticas, interações e integrações que permitam a constituição de novos espaços, o entendimento das relações entre as formas de organização material e simbólica e as manifestações do poder nas sociedades.

04. Fontes documentais e pesquisa Histórica
Coordenadores:  Profª Ms. Elizabete Maria Espíndola (Univás/UFMG) e Ms. Marilede Lázara Cassoli  (UFMG) e Profº Diego Natali

A proposta do presente GT busca atender as pesquisas que giram em torno de fontes textuais como: fontes cartoriais, paroquiais (batismo, casamento e óbito), atas de associações diversas, imprensa (jornais) como também, cartas e diários íntimos. Objetivamos através das discussões problematizar as questões metodológicas quanto aos usos de tais fontes para pesquisa historiográfica. Nossa proposta caminha de encontro aos novos desafios que os estudos historiográficos colocam a todo o momento ao historiador. A atualização das discussões neste âmbito nos leva a uma reflexão constante sobre a sociedade e suas práticas culturais.  

Avisos importantes

OBSERVAÇÃO: é necessário indicar em rodapé a Linha de Pesquisa na qual o(s) artigo(s) se inscreve(m).

Prazo para ENVIO de artigos completos: até 05 de abril de 2013 IMPRETERIVELMENTE.

Enviar os artigos para o email: historiaunivasemeioambiente@gmail.com

Serão aceitos artigos com base em pesquisas e contribuições inéditas, nas áreas que contemplam os Simpósios Temáticos da XIV Semana de História.

Serão aceitos UM artigo para cada individuo como autor PRINCIPAL e o MÁXIMO de TRÊS artigos desse mesmo individuo na condição de CO-AUTOR.

As apresentações dos trabalhos serão em forma de COMUNICAÇÕES ORAIS, com tempo estipulado de 10 minutos por trabalho.

Só serão PUBLICADOS e distribuídos CERTIFICADOS aos artigos e seus respectivos autores que forem ACEITOS pela COMISSÃO CIENTÍFICA, submetidos até a data limite (05 de abril de 2013). Além disso, TODOS os trabalhos deverão ser apresentados durante as seções de comunicações a realizar-se nos dias 9 e 10 de maio de 2013, nas dependências da UNIVERSIDADE DO VALE DO SAPUCAÍ, Unidade FÁTIMA, localizada na Avenida Prefeito Tuany Toledo, 470, bairro Fátima, Pouso Alegre, MG.

As apresentações dos trabalhos serão em forma de COMUNICAÇÕES ORAIS, com tempo estipulado de 10 minutos por trabalho.

Normas para publicação de artigo


O TÍTULO, DE ATÉ 100 CARACTERES, DEVE VIR EM NEGRITO, EM MAIÚSCULAS, CENTRALIZADO, EM FONTE TIMES 16
AUTOR1, AUTOR2, AUTOR3
(O NOME DOS AUTORES DEVE VIR EM MAIÚSCULAS, CENTRALIZADO, EM FONTE TIMES 12, EM NEGRITO)
Universidade do Vale do Sapucaí
Av. Pref. Tuany Toledo, 470 – 37550-000 – Pouso Alegre – MG – Brasil
(A filiação institucional, exemplificada acima, deve vir centralizada, sem negrito, em fonte Times 12)
e-mail do autor1, e-mail do autor2, e-mail do autor3
(os emails devem vir centralizados, em Fonte Courier New, de tamanho 10, sem negrito)

Resumo. O resumo em português deve vir em itálico, em fonte Times, de corpo 12, e deve possuir no máximo 500 caracteres, incluídos os espaços em branco. O resumo deve possuir alinhamento justificado (e não centralizado), e deve vir com recuo de 1,0 cm na margem direita e esquerda, de forma que fique um pouco mais estreito do que o corpo do trabalho. As palavras-chave, abaixo, devem ser separadas por ponto, e não podem somar, no total, mais de 100 caracteres, incluídos os espaços em branco.

Palavras-Chave. Palavra 1. Palavra 2. Palavra 3.

1. Formatação do trabalho 

O trabalho deve ser desenvolvido em folha de tamanho A4 (210 x 297 mm), com as seguintes margens: esquerda = 3,0 cm; direita = 3,0 cm; superior = 3,5 cm; e inferior = 2,5 cm. O texto do trabalho deve vir com fonte Times 12, espaçamento simples entre as linhas e alinhamento justificado. Na primeira linha de cada parágrafo deve haver um adentramento de 1,27 cm (ou um toque na tecla TAB). O espaçamento entre os parágrafos deverá ser duplo. As páginas do trabalho não devem ser numeradas. Os títulos deverão ser numerados, vir em negrito, com fonte Times 13, e alinhamento à esquerda.  Os subtítulos, se houver, devem seguir a numeração dos títulos (1.1, 1.1.1, etc), devem vir em negrito, com fonte Times 12, e alinhamento à esquerda.  O trabalho deve conter (no mínimo 10 páginas e no máximo 15 páginas). Não são aceitos trabalhos em formato.pdf ou outros que não permitam a edição do texto.

2. Citações

As citações curtas, isto é, de até três linhas, vêm integradas ao parágrafo, sem nenhum destaque, mas isoladas por aspas. As citações longas, de mais de três linhas, vêm num parágrafo à parte, em fonte Times 10, com recuo de 4,0 cm em relação à margem esquerda. As citações longas não vêm isoladas por aspas. Em todos os casos, devem ser informados, próximo à citação, o sobrenome do autor, o ano de publicação da obra e o número da página de onde o trecho citado foi retirado, como indicado abaixo.
Este é um exemplo de citação curta: “a referência bibliográfica é o conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento que permite sua identificação individual” (Severo, 2000, p.11).

Este é um exemplo de citação longa:

Em uma sociedade como a nossa, conhecemos, é certo, procedimentos de exclusão. O mais evidente, o mais familiar também, é a interdição. Sabe-se bem que não se tem o direito de dizer tudo, que não se pode falar de tudo em qualquer circunstância, que qualquer um, enfim, não pode falar de qualquer coisa. (Foucault, 1996, p. 9).

3. Referências

As referências bibliográficas devem acompanhar o padrão da ABNT (NBR6023) e devem ser apresentadas em ordem alfabética. As referências devem conter apenas os textos que foram citados no corpo do trabalho. Textos que foram consultados e que não foram citados devem ficar de fora das referências.  Os exemplos de referências mais comuns são informados abaixo.

SOBRENOME, Nome. Título do livro em negrito: subtítulo sem negrito. Local de publicação: Editora, ano de publicação.

SOBRENOME, Nome; SOBRENOME, Nome; SOBRENOME, Nome. Título do livro em negrito. Local de publicação: Editora, ano de publicação.

SOBRENOME, Nome. Título de parte (capítulo) do livro sem negrito In SOBRENOME, Nome. (org.).  Título do livro em negrito. Local de publicação: Editora, ano de publicação. pp.18-25. 

SOBRENOME, Nome. Título da tese em negrito. Ano. 300 f. Tese (Doutorado em História) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, SP.

SOBRENOME, Nome.  Título da matéria ou do site em negrito. Disponível em . Acesso em: 10 fev 2010.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Cidade remodelada: os conflitos sociais no Mercado Municipal de Pouso Alegre/MG


*Artigo publicado na Revista Memória em Rede da Universidade da Universidade Federal de Pelotas

Ana Eugênia Nunes de Andrade[1]
Andréa da Silva Domingues[2]
Fernando Henrique do Vale[3]

Resumo: Os políticos locais e os discursos da imprensa reproduziam desde a década de 50 que os espaços centrais de Pouso Alegre clamavam por uma melhor visibilidade, e as críticas da imprensa eram direcionadas à higienização dos prédios públicos e à estética. A cidade aos poucos vai se modificando e passa a ser pautada pela máxima do paraíso desenvolvimentista da república ditatorial. Com esse espírito, mais uma vez o prédio do Mercado Municipal é demolido, reformado, e consequentemente, inaugurado como uma obra funcional e modelar, alterando a rotina dos trabalhadores e frequentadores do local.

Palavras-chave: Cidade, Imprensa, Urbanização.

Abstract: The local politicians and the press speeches reproduced from the 50’s that the central spaces of Pouso Alegre clamored for better visibility and criticisms of the press were directed to the cleaning of public buildings and the aesthetics. The city was gradually being modified and happened to be based on the developmental paradise of the dictatorial republic. With this spirit, once again the Municipal Market building is demolished, rebuilt and opened as a functional and styling work, changing the routine of employees and regulars.

Keywords: City, The Press, Urbanization.


As discussões historiográficas sobre cidade, urbanização e relações sociais ganham mais impulso também com as novas abordagens da História Nova. Entendemos a cidade como um espaço vivo, que se movimenta e se modifica. A cidade é compreendida como produto de mudanças feitas pelo ser humano, tomando as mais diversas formas de acordo com os padrões de cada época. Devemos pensar os espaços urbanos 

procurando perceber como se foram estruturando, dimensionando seus momentos de transição, traçando sua evolução urbana, com vistas a eleger os espaços, marcos e monumentos explicadores daquele chão. Marcos significativos dos vários agentes que aí atuaram, procurando registrar não a memória do apogeu, mas das transições, dos momentos revolucionários, dos silêncios intencionalmente soterrados, das persistências e das rupturas (MARTINS, 1994, p.180).

O espaço da cidade pode ser entendido como um lugar em que os sujeitos e interesses plurais, públicos ou privados, coexistem, onde as histórias são marcadas pela transitoriedade e deslocamentos contínuos de sentidos, intrínsecos à modernidade capitalista na guerra de símbolos que se trava entre diferentes classes sociais. As práticas em torno dela trazem consigo toda uma rede de representações, de memórias que se entrelaçam construindo o saber e a visão de mundo que envolve os diferentes sujeitos. 

Tido como um espaço público da cidade, o Mercado se torna, mesmo não sendo oficialmente, um patrimônio cultural do município[4], por fazer parte das muitas memórias e das disputas que circundam ou participaram daquele espaço. “O patrimônio cultural materializa e torna visível o sentimento evocado pela cultura e pela memória e permite a construção das identidades, fortalecendo os elementos das origens comuns” (CANCLINI, 1994, p.100). Na perspectiva da presença de diversos sujeitos em um mesmo espaço, compreendemos que o patrimônio não é algo obsoleto, vindo de um passado remoto, mas sim espaço de memória, de conflitos.

Como espaço de disputa econômica, política e simbólica, o patrimônio está atravessado pela ação de três tipos de agentes: o setor privado, o estado e os movimentos sociais. As contradições no uso do patrimônio têm forma que assume a interação entre estes setores em cada período (CANCLINI, 1994, p.100).

Devemos ter em mente que precisamos “garantir a compreensão de nossa memória social preservando o que for significativo dentro do vasto repertório de elementos componentes do Patrimônio Cultural” (LEMOS 2006, p.29).

Atualmente se discute muito sobre questões de preservação patrimonial, entendendo os espaços como “lugares de memória”, onde se constitui a formação identitária de uma sociedade.
A curiosidade pelos lugares onde a memória se cristaliza e se refugia está ligada a este momento particular da história. Momento de articulação onde a consciência de ruptura com o passado se confunde com o sentimento de uma memória esfacelada, mas onde o esfacelamento desperta ainda memória suficiente para que se possa colocar o problema de sua encarnação. O sentimento de continuidade torna-se residual aos locais. Há locais de memória por que não há mais meios de memória (NORA, 1993, p.7).

Percebemos a necessidade da preservação da memória como forma de reconstituição de si mesma, uma memória viva e dinâmica, expressa na constituição de grupos e de uma sociedade. Nora enfatiza os lugares da memória como “restos” que procuram testemunhar outra era. “Nascem e vivem do sentimento de que não há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, por que essas operações não são naturais” (NORA, 1993, p.7). Notamos que os lugares da memória estão ligados a uma ritualização, ou seja, uma rede simbólica que os permeia, permitindo a cada um que realize o exercício de relembrar, concebendo assim a história como um exercício que aglutina passado, presente e futuro.

Nesse sentido, surge a necessidade de se manterem e preservarem os bens patrimoniais de uma cidade, que assim constituem o espaço público, e respectivamente estamos preservando nossa memória e o patrimônio histórico.

(...) é tudo aquilo que lembra um fato, ou uma época de nossa história, e que por isso merece e deve ser preservado. O patrimônio está dividido em três grandes categorias de elementos. Primeiro, notam-se os elementos pertencentes à natureza e ao meio ambiente. O segundo grupo de elementos refere-se ao conhecimento, as técnicas, ao saber e ao fazer. E o terceiro grupo reúne os chamados bens culturais que englobam toda sorte de coisas, objetos, artefatos e construções obtidas a partir do meio ambiente e do saber fazer (SILVA, 1990, p. 25).

Neste estudo analisamos os discursos presentes nas políticas desenvolvimentistas do Brasil, marcadas pela década de 50, dando enfoque nas políticas higienistas e nos discursos políticos da imprensa local, reproduzindo um maior zelo pela imagem dos espaços públicos da cidade. Já no que diz respeito à tomada do poder pelos militares, em 1964, buscaremos entender as mudanças promovidas neste governo e como foram exercidas em Pouso Alegre através dos discursos dos jornais. Aos poucos, a cidade apagava os velhos moldes para se despontar em um futuro, mas, as marcas do rural estão presentes na realidade social, embora a normatização e a regulamentação das memórias dominantes apontem para um lugar onde as reformulações urbanas levariam a cidade a um paraíso civilizatório das repúblicas. Percebemos também os conflitos dos sujeitos sociais ao redor do Mercado Municipal.

Pouso Alegre, no início dos anos 50, contava com a estimativa de 28.731 habitantes, sendo que 15.000 habitavam o espaço urbano e 9.000 a zona rural. Em 1955, há uma queda para 22.224 pessoas devido à emancipação de Congonhal, antes distrito de Pouso Alegre. A maioria da população habitava o ambiente rural, com 14.806 e o espaço urbano constituído por 12.509 habitantes (ARAÚJO, 2012, p.40). O aumento de construções de casas na área central e as novas formas que a cidade foi tomando deixaram para trás o estilo arquitetônico francês adotado pela antiga república.

A população em geral possuía 135 automóveis comuns para passageiros (incluindo jipes e camionetas), 105 tratores, 6 motocicletas, entre outros. Em relação à tração animal, eram em número de 180 charretes, 194 carroças e 410 carros de bois. Os laços de ruralidade eram mantidos fortemente nas questões do espaço público e da economia.  Porém, a cidade aos poucos se constituía nas construções e remodelações, podendo denominar-se urbanidade no rural (NUNES, 2009, p.6).
Para nós não se trata do fim do rural destruído pela urbanização homogeneizadora (...) chamamos a atenção para o processo de desenvolvimento do capitalismo que se dá de maneira desigual no espaço. (...) O rural, ao guardar especificidades das práticas espaciais de suas populações, garante (e, em alguns casos, fortalece) a identidade territorial que, mesmo submetida às lógicas difundidas a partir da cidade, ainda permite a essas populações uma certa autodeterminação (RUA, 2002, p. 33-34).
  
A economia do município se constituía especificamente sob as atividades agropecuárias em conjunto com a indústria rural, principalmente na criação de rebanhos bovinos. Já os principais ramos industriais se constituíam pela produção de latas brancas e litografadas, guarda-chuvas e sombrinhas, plantadeiras de arroz, calçados para homens e senhoras, sandálias em geral, banha de porco e seus derivados, laticínios em geral, vassouras de piaçava, móveis em geral, selas e arreios para montaria, sabão e saponáceo, bebidas em geral, massas alimentícias, doces, mortadela e presuntos, material para construção, artefatos de ferro e outros.

Mesmo com os aspectos de ruralidade, aos poucos Pouso Alegre, nos discursos dos políticos e da imprensa, procurava se engajar nos ritmos desenvolvimentistas do País. Desde o final da década de 30 era costumeiro lerem-se em jornais matérias relacionadas à administração pública como: “Pouso Alegre sua beleza, seu progresso, sua administração”[5], “Marcha para o progresso”[6] ou até mesmo “Pouso Alegre em marcha acelerada para o futuro”[7]. Que progresso seria esse que tanto os políticos e as classes dominantes almejavam? Uma cidade modelo e funcional, afastando aos poucos tudo o que representava “atraso”?

Os aspectos rurais começam a ser realmente criticados pela imprensa a partir do fim da década de 50. Nessa época, Pouso Alegre começa a receber o transporte de circulares urbanos e também regionais. A coluna Respingos do Jornal “Informativo Pousoalegrense” foi uma das propulsoras desta crítica. Percebemos um tom elitizado, a favor do progresso e do embelezamento da cidade. Em um primeiro momento, chama-se a atenção dos poderes públicos para uma fiscalização rigorosa com a chegada dos ônibus, ante a balbúrdia e perigo que oferece o atropelo dos charreteiros e meninos desocupados, para os passageiros[8]. Na visão do jornal, os charreteiros e os meninos desocupados eram um entrave para os denominados avanços da cidade, devendo ser ocultados do espaço urbano, pois o campo é associado a uma imagem do passado, enquanto a cidade era a visão do futuro, o retrocesso versus o progresso (NUNES, 2009, p.9).

Esse desejo de progresso sempre esteve presente na mentalidade de uma classe elitizada da cidade, porém, quando transmitido nas páginas dos jornais, passava-se a ideia de que uma cidade toda era transformada por esses moldes. No entanto, a área central, onde se concentravam as famílias tradicionais e o comércio, era o foco das atenções das administrações que passavam. O comércio, sentindo o progresso crescente de nosso desenvolvimento e a fluência de pessoas das cidades vizinhas em busca de novidades, vem construindo belas vitrines[9], em princípio no intuito de elevá-lo e promovê-lo como também contribuir com a abundância de luzes para o embelezamento de nossa principal área comercial e bela AVENIDA DOUTOR LISBOA[10].

Percebemos uma situação conflituosa: de um lado uma classe comerciante da cidade que influencia diretamente os políticos; e de outro aqueles que ganham a vida informalmente, trabalhando na condução de pessoas utilizando-se de suas charretes, e aqueles que são excluídos da sociedade, os pobres que mendigam para sobreviver, que deveriam ser afastados, considerados fatores de incômodo. Aos pedintes, faz-se o questionamento: A quem cabe reprimir a mendicância na cidade?[11] Chama-se a atenção da administração para que se acabe com a prática da mendicância, pois na visão do jornal, Pouso Alegre virou terra de ninguém e dia a dia aumenta o numero de pedintes[12]. A ideia que a notícia nos passa é que a cidade está sendo de certa forma dominada pelos pedintes, chegando a denominá-los como “ninguém”, pessoas à margem da sociedade, sendo necessário colocar-se um paradeiro nisso, evitando-se que cheguem a nossa cidade novos mendigos[13]. Para um maior controle da administração, chega-se a sugerir que se efetue um fichamento dos existentes e permitindo o esmolar apenas aos possuidores de placas de identidade e isto só aos sábados[14].

Para a ordem pública, as charretes e os animais tumultuavam o trânsito na área central, trazendo certas insatisfações por parte dos motoristas, enquanto também se percebia o descaso da administração pública com as placas de sinalização. Contudo, o periódico “O Linguarudo”, encerrando uma de suas matérias sobre certos problemas na cidade, adverte sobre a questão da limpeza do espaço urbano questionando a Delegacia Sanitária do porquê de não acabar com os cortiços em pleno centro da cidade[15], “utilizando-se de discursos higienistas para que se tomem imediatas providências: a chocante privada do Mercado Municipal, o mictório do Pateo [sic] da Prefeitura, o mictório do Cine Eldorado”. E continua o periódico, apontando mais um problema relacionado agora aos animais, pedindo atenção para o “estirar de bandas de porcos no corredor de entrada do Mercado Municipal, com a promiscuidade de cães e outros bichos, entre os gêneros alimentícios”[16]. Fica o principal questionamento da matéria: “Por que a Delegacia Sanitária não acaba com esta demonstração clara de falta de higiene e ausência de fiscalização?”

O que nos chama a atenção são os “cortiços” que tiram a beleza da cidade. Recebem essa denominação os espaços desprovidos de certo asseio higiênico exigido pelos moldes governamentais e discursos da época. Dentre tais espaços nos deparamos com o Mercado Municipal, sendo um dos mais criticados na época, por estar no centro da cidade em situações inviáveis. O discurso político da época nos deixa claro que “as propostas de intervenção no traçado das cidades constituem a dimensão complementar das preocupações sanitárias das autoridades públicas” (BRESCIANNI, 1998, p.251). O “Informativo Pousoalegrense” destaca a situação em que se encontra o “mictório” do Mercado Municipal, sendo grande parte do assunto da imprensa falada e escrita de Pouso Alegre. Naquele espaço, “em contrate com tudo o que diz respeito à higiene, está o exalador de mau cheiro, servindo dos mais tristes e injustificados comentários, por que servindo de instrumentos prejudiciais à coletividade”.

Percebemos que a imprensa e os políticos enfatizavam em seus discursos a importância de uma cidade organizada e limpa, mantendo a imagem de um espaço harmônico, em uma cidade que aos poucos vai se urbanizando, constituindo-se assim “um espaço moderno (...) com a adoção de estilos adequados para expressar visualmente a modernidade” (BRESCIANNI, 1998, p.255).

Com o processo de urbanização da cidade, o entorno do Mercado ganha uma nova aparência. Por meio de imagens conseguimos perceber tais transformações, a fim de se desenvolver uma narrativa, construindo a memória e o esquecimento desse urbano, jogando com a visibilidade e invisibilidade dos traços da cidade (POSSAMAI, 2007, p. 60).

A cidade sofreu algumas transformações durante a década de 50. A Praça do Obelisco toda remodelada, e o calçamento tomou o lugar do chão de terra. Notamos a presença de mais residências, formando-se assim um novo centro da cidade. Tais construções delineavam uma nova imagem da cidade.

O aspecto majestático dessas construções, bastante diversas em suas formas e materiais, reunindo com frequência estilos de várias épocas e lugares (...) sugerindo assim primordialmente o poder da burguesia, um poder que deveria parecer grandioso, infinito e esmagador (BRESCIANI, 1984, p.42).
  
Percebemos ainda a constituição do espaço no antigo Largo do Mercado. As moradias que se instalavam ao redor daquele espaço pertenciam a famílias tradicionais da cidade, certa burguesia que constituía o município, o que transparecia na suntuosidade das construções.

A década de 60 foi muito representativa e decisiva para uma possível construção de um novo Mercado para a cidade. Já nos primeiros anos, especificamente em 1964, o Brasil passa a ter um novo regime de governo: a Ditadura Militar, um período marcante no cenário brasileiro, tanto para a política como também para a vida cultural e social do País. Acreditava-se que, com os militares no poder, manter-se-ia uma ordem no Brasil, afastando-o dos males do comunismo. Para isso, tinha-se como fundamento a Doutrina de Segurança Nacional, originada nos Estados Unidos, sob uma concepção de permanente conflito e guerra entre o comunismo e os países ocidentais, mantendo uma organização no País. Nesse momento percebemos uma ideologização de um amor exacerbado à pátria, culto aos grandes heróis e vigilância em se manterem os bons costumes. Aqueles que fossem contra as políticas do regime e se manifestassem eram punidos sob forma de tortura e pressão.

Em Pouso Alegre, a imprensa pouco se manifesta, muitas vezes ocultando o que realmente estava acontecendo no País e naquele espaço urbano.

(...) marca de uma memória construída (...) sem a dimensão da experiência de homens e mulheres que agem de modo contraditório e conflituoso. Nessa construção, acredita-se, a própria ação dos homens enquanto sujeitos fica perdida, necessitando ser redimensionada (AQUINO, 1999, p.21).
  
Os jornais apenas noticiavam eventos marcantes que eram proporcionados pelas realizações administrativas. Um novo modo de pensar a política e a estrutura de uma cidade surgia, a grandiosidade das construções e obras deixava marcas daqueles que estavam à frente do governo. Grandes construções marcaram esse período, o prédio do Hospital das Clínicas Samuel Libânio e o Mercado Municipal.

A imprensa pouso-alegrense na década de 60 tece críticas constantes à situação em que se encontra o prédio do Mercado Municipal. Percebemos pela tonalidade que os artigos publicados exigiam uma providência urgente para uma questão que já vinha se alastrando por algum tempo. O jornal “O Linguarudo” faz uma série de críticas a vários espaços da cidade que precisam de algum melhoramento ou até mesmo da ação daqueles que estão à frente do município. Ao questionar “E o nosso Mercado?”, o jornalista, ironicamente, deixa transparecer o quanto se tornaram constantes as críticas a respeito do Mercado na imprensa. Desde o saudoso tempo em que o Dr. Vasconcelos Costa[17], então Prefeito de Pouso Alegre, ampliou aquele próprio municipal, até esta data não se fez nada em que melhorasse aquele casarão[18].

Passados 18 anos, na gestão de Jorge Andere[19] foram realizadas apenas algumas modificações, na colocação das bancas dos mercadores, colocação de vitrôs em redor (alguma parte) por que já está tudo transformado. Onde deveria ser colocado  [sic] os vitrôs, uns fazem paredes, outros fecham com tábuas, etc. Percebemos que cada administrador realizou alguma obra, porém o jornal chama a atenção para a questão da limpeza, dizendo que por longos anos o Mercado passou sem uma limpeza decente, todo cheio de goteiras na seção de verduras, os peixes são vendidos do lado de fora sem um abrigo de sol e chuva quando podia ser ampliado do lado da frente[20]. E para finalizar aquela matéria, a questão higiênica entra novamente em foco, (...) não vamos tocar no assunto da privada, isso cabe ao serviço sanitário fazer uma visitinha ali com máscara contra gaz [sic], sinão [sic]… não suporta chegar ali.

No artigo “E o nosso Mercado”, é chamada a nossa atenção para a insistência da cobrança dos melhoramentos e de uma reforma geral no recinto do Mercado. Fala-se em pequenas reformas, melhoramentos ou até mesmo reparos, muitas vezes desnecessários, porém o jornal ainda bate na questão da limpeza do prédio, demonstrando um possível descaso do poder público com aquele espaço. Ao se tratar do Mercado Municipal, sua demolição irá ocorrer no início da década de 70. Porém, já no final da década de 60, circulavam nos órgãos de imprensa críticas sobre a realidade do espaço naquele momento.

À medida que o tempo vai passando, as cobranças vão se tornando ainda mais severas, classificando o Mercado como a vergonha da cidade. A imprensa já se pronunciou diversas vezes sobre o Mercado Municipal. Foram veiculadas “críticas e sugestões já foram ventiladas por todos. Projetos foram estudados e soluções planejadas. Descentralização… mercadinhos… supermercado e outros “bichos” foram criados no papel”[21] Porém, a situação financeira da administração não era tão boa, por isso teriam que manter o prédio como estava. A imagem que o jornal nos passa era de um prédio totalmente abandonado pelos poderes públicos, e quem passava por aquela região sentia o “mau cheiro nauseabundo que dali se desprende, exalado de um mictório que a saúde pública já devia ter fechado e que não tem nenhuma serventia a não ser para contaminar e infestar seus usuários, se é que alguém o utiliza”[22]. O artigo mostra o inconformismo com um suposto descaso da prefeitura com o espaço do Mercado, chamando a atenção dos poderes públicos para que tomem conhecimento da situação: “caiação; uma limpeza diária; construção de um mictório decente; uma fiscalização mais rigorosa, enfim, uma simples reforma que visasse apenas a solucionar o problema da higiene”[23].

A “Folha de Pouso Alegre” ressalta a situação em que se encontrava o prédio do Mercado Municipal, principalmente também na questão da limpeza e da higienização, assunto discutido também nos diversos jornais da cidade, chegando a ser alvo de ironia, como se encontra na coluna “Mosaico” do Jornal de Pouso Alegre. Ela se refere à sujeira do Mercado, onde até mesmo “já está sendo estudo dos químicos que vêem [sic] com bons olhos o aproveitamento de tanta sujeira, para a fabricação de adubos e fertilizantes”[24]. Estando o prédio em estado de abandono pelos poderes públicos, surgem propostas de mudança de local ou descentralização do espaço, pois era seria considerado inadequado esteticamente para a composição do centro da cidade, onde, “as conquistas do urbanismo conferiram uma aparência nova aos edifícios para moradia completados por seus prolongamentos, aos centros de negócio ou a uma parte dos locais de trabalho (...) colocando o homem finalmente a serviço do seu próprio bem-estar e de sua satisfação estética” (GUINSBURG, 2000, p 39-41). Entendemos que as formas estéticas são colocadas a serviço do próprio homem, como algo que o completa enquanto sujeito de uma sociedade que se faz presente nos diversos espaços da cidade. Assim como o espaço se torna uma extensão da economia, pois a aparência de um devido local atrai mais pessoas.

No início da década de 70, o antigo prédio do Mercado estava sendo alvo de muitas críticas, como veicula o “O Linguarudo”, que já se pronunciava por diversas vezes sobre “o estado em que se encontrava aquele próprio municipal, sujo, com 43 barraquinhas em redor e na frente, sem que a atual administração pudesse dar um fim naquela favela”[25].

Além das vendas dentro do estabelecimento do Mercado, era realizado também um comércio informal na parte de fora do espaço, como também em alguns pontos centrais da cidade, sendo alvo de diversas críticas provindas principalmente dos comerciantes. Tais reclamações se acentuam mais no final da década de 50. Numa atitude de incômodo, “como se não bastassem os vendedores ambulantes com mercadorias espalhadas pelos passeios, os bancos e cadeiras, os vendedores de frutas, agora também os passeios servindo de tulhas”[26], supostamente atrapalhavam o comércio dos estabelecimentos.

Em outra chamada percebemos a que ponto chega a ironia, quando em um tom de provocação o jornal convoca “Camelôs, ou melhor, vendedores ambulantes... venham todos para Pouso Alegre, por que isso aqui é o verdadeiro SHANGRI-LÁ... que o diga o Banco Hipotecário que vai abrir outra porta de entrada”... dando-nos a ideia de que a cidade estava sendo invadida pelas pessoas que ganham a vida com o  do comércio informal. O jornalista deixa ainda bem claro que havia uma pressão dos comerciantes para a saída dos supostos camelôs, quando deixa transparecer um pedido para que se tomem providências quanto “ao uso dos passeios de nossa bela cidade, pelos mascates e vendedores ambulantes que tanto deturpam os nossos foros de cidade civilizada e ainda prejudica o nosso comércio”[27].

Já no início da década de 70, na administração do prefeito Antônio Duarte Ribeiro[28], o Mercado sofre uma reforma geral, sendo totalmente reconstruído e ampliado até a Praça Dr. José Garcia Coutinho. Segundo o jornal “A Folha de Pouso Alegre”, outro periódico da cidade, 90% da população eram contra a reforma e ampliação do prédio no mesmo local. Realizou-se, no entanto, um abaixo-assinado[29] que contou “com mais de 3000 assinaturas”, e que “solicitava à Administração que o Mercado continuasse no mesmo local anterior, enquanto um abaixo-assinado de 39 cidadãos solicitava a transferência do Mercado”[30]. Tendo sido aprovada pela população, a demolição do Mercado se inicia em meados da década de 70. Aquele espaço, que por muitas décadas foi o ponto de sociabilidade, se torna um espaço vazio, composto de ruínas, que por muitos anos, abrigaram diversas memórias e acontecimentos.

A busca pelo novo, pelo moderno são termos e realizações utilizados pelas classes hegemônicas e que justificaram transformações que não foram de encontro com a maioria da sociedade. Tais feitos, quaisquer que sejam os interesses dos grupos dominantes, tudo se justifica ideologicamente (FENELON, 2004, p.51).
 
Nenhum órgão impresso nessa época publicou a imagem, apagando a memória do antigo prédio, que por muito tempo fora alvo de críticas e disputas sociais. As notícias e artigos jornalísticos nesse momento apenas vão veicular informações sobre os benefícios que trariam o novo prédio, seu aspecto funcional e estético, tecendo ainda elogios à administração.

O Jornal “O Linguarudo” aponta a situação em que se encontrava o espaço em torno do Mercado, necessitando também da colaboração daqueles que habitavam ao redor. Percebemos que o periódico exalta a administração, quando se refere ao novo prédio “que será sem dúvida o mais belo do Sul de Minas”[31]. A intenção era ressaltar as grandes obras e os benefícios que o governo, submisso aos militares, realizava naquele momento. Chamava-se a atenção daqueles que residem próximo ao Mercado, “para que cooperassem para o embelezamento daquela via pública, obedecendo a Lei da Prefeitura que obriga a construção de muros e passeios”[32], encontrando uma certa resistência, pois esses habitantes “não estavam de acordo que se construísse o mercado no mesmo local, e que ali devia ser o prolongamento da Avenida Duque de Caxias”[33].

Ao ler esta matéria, notamos o apelo às pessoas residentes no entorno do Mercado, levando-nos a pensar que não seria apenas o prédio daquele Municipal que estava inadequado à estética urbana que propunha o pensamento da época, mas as propriedades daquele espaço também contribuíam para a imagem relatada pela imprensa. As famílias que ali residiam eram tradicionais, pessoas de posse, com interesses em alguns aspectos da cidade. Ao mesmo tempo em que o discurso cobra a limpeza e certo padrão estético, tais famílias não se preocupavam com o espaço em frente às suas próprias moradias, sugerindo até que se mudasse o prédio do Mercado para outro local.

A reconstrução do novo prédio fora iniciada no início da década de 70. A notícia “Mercado em Reforma” defende a sua remodelação, pois já era veiculada a situação vergonhosa em que se apresentava o local. Uma das primeiras providências tomadas fora sua transferência para o prédio dos irmãos Mariosa, “antiga Fábrica Mariosa, onde funcionará provisoriamente até que as obras de remodelação estejam completas”[34].

O espaço que abrigou os mercadores era um grande galpão localizado na Rua Doutor João Beraldo, em um lugar um pouco mais descentralizado para a época. Em situação precária, os mercadores realizavam seu comércio durante esse período. Em conversas informais com um dos comerciantes da época, a propriedade da família Mariosa era um ranchão, onde funcionava uma fábrica, e cada um dos mercadores procurou se instalar a sua maneira para ali ficar trabalhando.   

Segundo alguns jornais dessa época, a construção desse outro prédio seria um motivo de orgulho para a cidade e sua população, pois no lugar de uma simples reforma e limpeza, o prédio seria todo remodelado. Contudo, ao se resignificar aquele espaço, muitas memórias abrigadas foram apagadas. Falar dos resignificados da cidade implica estabelecer conexões variadas com a própria experiência de viver em cidades. As marcas de afetividade compõem um acervo especial aos citadinos ao longo do tempo. Lembranças, sentidos, imagens, discursos se movimentam na memória coletiva. Essas marcas indicam códigos culturais que são carregados de conflitos, de ideologia, de resistências frente às práticas políticas que resignificam as imagens na cidade, reorganizando os sentidos pela memória hegemônica.

A reforma feita no prédio do Mercado Municipal altera radicalmente a estrutura arquitetônica do espaço. O estilo do prédio passa a ter características modernas, através de um único grande arco, abandonando os traçados clássicos que o anterior possuía. Sua estrutura passa a ser de aço e sua cobertura de telha de amianto. São colocadas duas portas, sendo que sua entrada principal passa a ser voltada para a Avenida Duque de Caxias, e a segunda para a Praça Dr. Garcia Coutinho, tomando o lugar de um espaço que abrigava uma praça onde se localizava o Obelisco do Centenário da Cidade.

Com a ampliação do Mercado, o Obelisco foi demolido, gerando insatisfação de várias pessoas na cidade. Percebemos aí uma radicalização quanto à mudança do prédio, sinais de modernização do espaço. O estilo tradicional de arquitetura cedeu lugar a um modelo mais moderno e grandioso, sendo totalmente descaracterizado, mascarando assim imagens falsas de progresso. Para isso era preciso apagar aquilo que incomodava, ou seja, a imagem do antigo, do atrasado, dando lugar à imagem do moderno, sendo perceptível em vários pontos da cidade, como forma de “uma crescente disputa pela memória de (e em) vários espaços e territórios urbanos” (CAVALCANTI, 2011, p.13) pelas diferentes classes sociais. Porém, pela força do discurso dominante, a cidade vai ganhando novos traços modernos, sempre afastando aquilo que se torna um empecilho para o embelezamento progressista.

A inauguração do novo prédio se deu no dia 19 de outubro de 1970, na comemoração dos 122 anos da cidade de Pouso Alegre. Contou-se com a presença do governador do Estado Israel Pinheiro, do prefeito municipal e de autoridades locais. Em seu discurso, o prefeito Antônio Ribeiro exaltou as boas ações do sistema, além de demonstrar fidelidade ao presidente ao dizer: “somos um governo da Revolução de 64, a ela nos integramos nos seus princípios básicos, fiéis a política de integração desenvolvida pelo nosso eminente Presidente Médici”[35]. Como o Brasil estava passando pelo dito Milagre Econômico, várias construções foram realizadas no país, justamente como sinal de afirmação de um governo que perseguia e oprimia.

Em Pouso Alegre, não se veem jornais que criticam o governo, apenas os que mostram as obras e seus supostos benefícios. Como percebemos, “nestes 18 meses de governo, pela segunda vez, temos a alegria de presidir as solenidades desta magna data”[36], realizando a entrega de “10 escolas, 15 quilômetros de rede de água e 15 quilômetros de rede de esgoto e este funcional e modelar Mercado Municipal”[37]. Ao finalizar a matéria, o jornal nos apresenta os benefícios de algumas das obras empreendidas pelo governo municipal. A construção do Mercado Municipal, assim como a do Terminal Rodoviário, “carreará para o erário municipal, mais de 120.000 cruzeiros anuais”[38], caracterizando-os como empreendimentos autofinanciáveis, pois quando menos se esperar “ao findar de 36 meses, terá trazido de volta aos cofres municipais, os recursos gastos na sua remodelação e ampliação”[39].

Esse trecho do discurso do prefeito Antônio Duarte Ribeiro, publicado no Jornal “A Folha de Pouso Alegre”, tem um caráter político, de engrandecer a forma de governo na Ditadura Militar, demonstrando fidelidade ao sistema político. Na forma do uso das palavras, dá-se a ideia da entrega de grandes obras, comparando a obra do Mercado Municipal com a da Estação Rodoviária, prestando conta de valores. O majestoso Mercado é uma obra modelo, funcional e modelar, dando mais conforto àqueles que ali frequentam e trabalham.

Podemos perceber que a cidade aos poucos vai crescendo e se utilizando de artífices progressistas para delinear a imagem da modernidade. Os conflitos entre o rural e uma classe com mentalidade urbana, incluindo os políticos e a elite, se dão constantemente, com o propósito de se afastar aquilo que fere a estética do centro urbano ou que passe uma imagem atrasada para a cidade. A própria obra que descaracterizou o prédio do Mercado Municipal, justamente para limpar, não condizia com o harmônico que idealizavam para uma cidade que estava se modernizando. Mesmo tendo construído outro prédio com a intenção de limpar aquele espaço, os jornais continuam focados no problema da higiene que atinge o seu redor, chamando a atenção de fiscais da municipalidade e da vigilância sanitária.  

Referências
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AQUINO, Maria Aparecida. Censura, Imprensa, Estado Autoritário (1968-1978): o exercício cotidiano da dominação e da resistência. EDUSC, Bauru, SP, 1999.
BRESCIANI, Maria Stella Martins. História e historiografia das cidades, um percurso. In: Historiografia em Perspectiva. São Paulo, SP, Editora Contexto, 1998.
CANCLINI, Nestor Garcia. O patrimônio cultural e a construção imaginária do nacional. In: Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Brasília. IPHAN, nº23.1994.
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SILVA, Ciro Augusto de Oliveira e. A produção arquitetônica em Goiânia, e a preservação do seu patrimônio histórico. Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 1990.


[1]Doutoranda em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/Mestre em Ciências da Linguagem pela Universidade do Vale do Sapucaí/MG. Professora do Departamento do Curso de História na mesma universidade.
[2] Doutora em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Coordenadora do Curso de História da Universidade do Vale do Sapucaí/MG.
[3] Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais no período de 2010-2011, integrante do Programa de Iniciação Científica da Universidade do Vale do Sapucaí/MG. Acadêmico do Curso de História na mesma universidade.
[4] Podemos aqui fazer algumas distinções sobre bens patrimoniais. Etimologicamente, patrimônio é algo que vem da herança do pai, riqueza. Podemos identificar como patrimônio: a vida, o corpo, a linguagem, os sonhos, as histórias, assim como a arquitetura, o artesanato, a música, a literatura etc. Podemos assim dividi-lo em duas categorias: Patrimônio Ambiental Urbano – sendo um fato social, produto de uma sociedade específica. Compreende lugares, bens imóveis, monumentos e vivências. A memória social está diretamente ligada ao patrimônio ambiental a qual se projetam as representações da cidade. Patrimônio Cultural: é a soma dos bens culturais de uma comunidade ou grupo. É o conjunto de bens culturais portadores de valores que podem ser legados às gerações futuras. Existem as seguintes categorias: a) Bens intangíveis: os que não podemos pegar – celebrações, ritos, fazeres etc; b) Bens tangíveis: bens imóveis e móveis – igrejas, casas, espaços urbano, etc. c) Bens naturais: Bens da natureza – serras, picos, parques, rios etc.
[5] O Linguarudo, Ano I, nº 51 e nº 52, 08 de outubro de 1939.
[6]  Informativo Pousoalegrense, número especial, dezembro de 1957, p. 5
[7] Idem, p. 67.
[8] Informativo Pousoalegrense, Ano II, nº IV, p.5.
[9] Idem, p. 5.
[10] Idem, p. 5.
[11] Id. p. 5.
[12] Id. p. 5.
[13] Id..p. 5.
[14] Id. p. 5.
[15] O Linguarudo, Ano XX, nº 257, p.3, 25 de dezembro de 1957.
[16] Idem, p. 3.
[17] José Antônio de Vasconcelos Costa, prefeito de Pouso Alegre, no período de 1941 a 1943. Nasceu em Sete Lagoas (MG), em 1916. Advogado e escritor, nomeado prefeito dos municípios de Pouso Alto e São Sebastião do Rio Verde, advogado da justiça militar da força Policial do Estado, consultor jurídico do Comando Geral. Nomeado prefeito de Pouso Alegre em 1941 e posteriormente removido para a prefeitura de Uberlândia.
[18] O Linguarudo, Ano XXVI, nº 449, p.4, 25 de dezembro de 1966.
[19] Jorge Antonio Andere, prefeito de Pouso Alegre nos períodos de 1959 a 1963 e de 1967 a 1969.
Nasceu em Kfour El Árabe (Líbano), em 1914, e faleceu em Pouso Alegre, em 1977. Naturalizou-se brasileiro em 1936. Contador, comerciante, proprietário de posto de combustível e representante Ford, eleito prefeito por duas vezes, tendo o segundo mandato interrompido (cassado em 1969).
[20] O Linguarudo, Ano XXVI, nº 449, p.4, 25 de dezembro de 1966.
[21] A Folha de Pouso Alegre, Ano I, nº10, p. 1, 09 de novembro de 1969.
[22] Idem, p. 1.
[23] Id. p. 1.
[24] O Jornal de Pouso Alegre, Ano I, nº 10, p.1, 9 de novembro de 1969.
[25] O Linguarudo, Ano XXIX, nº 739, capa, 30 de maio de 1970.
[26] Informativo Pousoalegrense, Ano II, nº XXIII, p.3, 25 de maio de 1958.
[27] Idem.
[28] Antônio Duarte Ribeiro, vice-prefeito de Jorge Antônio Andere, que assumiu a administração municipal em 1º de maio de 1969 em virtude da cassação do titular do cargo pelo movimento revolucionário, permanecendo até 31 de janeiro de 1971.
[29] Este abaixo assinado se encontra nos arquivos do Museu Histórico Municipal Tuany Toledo.
[30] A Folha de Pouso Alegre, Ano I, nº 28, capa, 9 de maio de 1970.
[31] O Linguarudo, Ano XXIX, nº 741, p.5, 31 de agosto de 1970.
[32] Idem, p.5
[33] Id. p.5.
[34] A Folha de Pouso Alegre, Ano I, nº 28, capa, 9 de maio de 1970.
[35] Idem.
[36] Id.
[37] Id.
[38] Id.
[39] Id.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Canudos

"Uma vila que se ergue na caatinga mais calcinada e que vai além dos 30 mil habitantes, com 6.500 casas, em não mais que quatro anos. Ao ser destruída, em 1897, era o segundo ajuntamento urbano da Bahia, situado logo abaixo a Salvador, com seus 200 mil habitantes".

"O arraial organizado por Antônio Conselheiro teve apenas quatro anos de duração - de 1893 a 1897 - tendo sido destruído de forma violenta em uma guerra sangrenta - total".

*Trechos da obra: MELLO, Frederico Pernambucano de. A Guerra Total de Canudos. São Paulo: A Girafa Editora, 2007.