terça-feira, 13 de setembro de 2016

XVII Semana de História

Semana de História

Programação
26/10 - Quarta-feira
19h
Recepção
Abertura do evento

Ciclo de debate I – Questão Racial e Gênero I
Arte em Iorubá: imagens em performances
Ministrante Prof. Rafael Gonzaga- PUC-SP / Universidade Metodista de Piracicaba.
        
O movimento feminista numa perspectiva histórica e as recentes lutas das mulheres no Brasil
Ministrante Profa. Luciana Nogueira – PPGCL/UNIVÁS

Local: Salão de eventos Unidade Fátima

27/10 – Quinta-feira
14h às 17h
Oficinas:
Memória, trauma e perdão: um diálogo com Paul Ricouer (1913 - 2005).
Ministrante Prof. Piero Detoni – USP

O Irã, o Islã e o cinema: a representação da mulher no cinema iraniano.
Ministrante Profa. Aline Amaral – PUC/SP

Local: salas de aula prédio principal
19h às 22h
Ciclo de Debates II – Questão Religiosa e Gênero II
Intolerância religiosa e Direitos Humanos
Ministrante Prof. Rafael Lazzarotto Simioni – UNIVAS / FDSM

Cidadania no Brasil: passado ou futuro.
Ministrante Profa. Patrícia Brasil – MACKENZIE /SP
Local: Salão de eventos Unidade Fátima

28/10 – Sexta-feira
14h às16h
Apresentação de pôsteres de práticas pedagógicas e/ou pesquisa científica.
Local: Prédio principal da Unidade Fátima

19h30 às 22h30
Tradicional Macarronada do curso de História – por adesão

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O curso de História aguarda você!


Possui graduação em Bacharelado Em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (1959) e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1972). Atualmente é professor emérito da Universidade de Brasília, membro do Conselho Nacional de Imigração e do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Etnologia Indígena, atuando principalmente nos seguintes temas: patrimônio cultural, antropologia, cultura, etnologia indígena e sociedades indígenas. Foi pesquisador do CNPQ, nível IA, de 1983 a 2003, quando não solicitou renovação da bolsa tendo em vista ter assinado contrato com a Universidade Católica de Goiás (2003-2008).

sábado, 20 de setembro de 2014

Vestibular 2015



Inscrições: 01/09 a 6/11
Provas: 15/11


Faça História na Univás
Historiador estuda, pesquisa ou escreve sobre história



O que é?

Historiadores são profissionais que reúnem documentos e dados, situam os fatos em seu contexto, reconstroem, interpretam e analisam o passado de indivíduos, grupos e movimentos sociais, instituições, regiões, cultura, arte, ideias e costumes - que abrangem todos os aspectos da História.

Quais as características necessárias?

É preciso ter interesse em leitura, boa memória, boa redação, ser organizado, capacidade de análise e reflexão, além de interesse pelas questões sociais.

Atributos desejáveis:

·         Boa memória

·         Capacidade de organização

·         Capacidade de síntese

·         Curiosidade

·         Espírito de investigação

·         Facilidade de expressão

·         Gosto pela pesquisa e pelos estudos

·         Gosto pelo debate

·         Habilidade para escrever

·         Interesse pela leitura

·         Raciocínio lógico desenvolvido

·         Senso crítico

Principais atividades

Além de atuarem como professores do ensino fundamental, médio e superior, historiadores atuam na área de pesquisa e consultoria, dedicando-se a:

Levantar e analisar a bibliografia sobre o assunto em pauta;

Analisar e interpretar documentos originais como cartas, telegramas, diários, jornais, fotografias, gravações, objetos, arquivos;

Fazer o levantamento e organização de acervos;

Fazer entrevistas e organizar informações;

Escrever e publicar teses, artigos, livros, revistas e catálogos;

Elaborar projetos e levantar recursos;

Organizar exposições históricas e eventos comemorativos em museus, sítios históricos, bibliotecas e arquivos públicos, empresas privadas;

Organizar seminários e ciclos de debates;

Assessorar empresas de turismo na elaboração de roteiros de viagens;

Assessorar escritores, roteiristas e autores de produções culturais na criação de seus projetos;

Atuar como produtor de arte, contratado por emissoras de televisão para ambientar personagens, orientar figurino, decoração de interiores, e cenários externos de acordo com o estilo da época em que se desenvolve a trama.

Áreas de atuação e especialidades

Ensino: lecionar no ensino fundamental, médio e superior.

Consultoria: levantar e organizar informações para publicações, exposições e eventos em empresas, museus, editoras, produtoras de vídeo e CD-ROM ou emissoras de TV. Dar palestras e seminários.

Pesquisa: investigar e analisar fatos históricos, consultando as mais diversas fontes (bibliotecas, entidades, pessoas etc.). Publicar teses (pela universidade) ou livros, quando o tema é de interesse geral.

Mercado de Trabalho

Prefeituras e municípios têm feito concursos para o ensino fundamental e médio. A abertura de vagas e concursos depende da aposentadoria dos professores em exercício e de autorização do MEC. Porém, o aumento do número de universidades particulares e cursinhos pré-vestibulares geraram crescimento da demanda por professores de História. Há um crescimento do mercado também na área das atividades de pesquisa e consultoria para produções culturais. Nos centros de pesquisa histórica o mercado é estável.

Curiosidades

A profissão de historiador é antiga, já que, por natureza, o homem sempre procurou desvendar os mistérios do passado. No final do século XIX, os estudiosos classificavam a história como os fatos que eram localizados em tempo e em espaço, ou seja, apenas privilegiava os grandes acontecimentos e as personalidades notórias. Mas essa visão vem mudando, e o campo que a matéria abrange vem aumentando, incluindo os fatos cotidianos, estudando as relações interpessoais, os conflitos regionais, religiosos, ou seja, analisando a sociedade sobre o ponto de vista econômico, político, étnico, cultural, popular e etc. Com isso, o historiador passa a compreender a fundo as razões, as explicações dos fatos e, assim, pode também propor soluções, uma vez que está engajado com a problemática social.
Fonte: Brasil Profissões

sábado, 3 de maio de 2014

XV Semana de História: Dialogando os 50 anos do golpe



O curso de História da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) realizará de 21 a 23 de maio de 2014, a XV Semana de História, que irá abordar o tema "50 anos do golpe no país".

No dia 21 de maio, às 19h, no Anfiteatro da Unidade Central da Univás haverá duas palestras. A primeira, às 19h30, abordará o tema "Para não esquecer Vandré: Música, política, repressão e resistência", que será proferida pela professora Marilu Santos Cardoso, docente do Programa de Pós-graduação em História / Núcleo de Estudos Culturais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

A segunda palestra ocorrerá por volta das 21h, que trará o tema "Experiências de solidariedade e política - a Ação Popular (CB-22) no Jardim Zaíra entre os anos de 1958 e 1970", que será ministrado pela professora Sandra Aparecida Portuense de Carvalho, docente do Programa de Pós- graduação em História / Núcleo de Estudos Culturais da PUC/SP.

No dia 22 de maio, a partir das 16h, no prédio central da Unidade Fátima da Univás acontecerá a oficina "História e Música", proferida pela professora Marilu Cardoso. Na segunda oficina, a professora Sandra Carvalho comanda o tema "História Oral e Memória". As vagas para as duas oficinas são limitadas.

No período noturno, a partir das 19h, no Anfiteatro da Unidade Central da Univás será realizada uma mesa redonda com os egressos do curso de História, onde serão apresentadas as seguintes temáticas. "O Ensino Universitário e a Ditadura no Sul de Minas Gerais", com a presença do expositor, professor Álvaro Nonato Franco Ribeiro, mestrado em Educação pela Univás. O tema "O Golpe de 64 em Santa Rita do Sapucaí" será apresentado pelo expositor, professor Diego Natali, do Programa de Pós-graduação em História / Núcleo de Estudos Culturais da PUC/SP e o expositor, professor Jeferson Tadeu Martins, da Escola Técnica de Eletrônica de Santa Rita do Sapucaí e do Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre apresentará o tema "Oposição à ditadura militar nos livros didáticos de História".

Já no dia 23 de maio será realizado o encerramento da Semana de História com a Tradicional Macarronada do curso de História da Univás, no Ginásio Poliesportivo da Unidade Fátima.

A XV Semana de História da Univás tem como principal objetivo possibilitar o envolvimento dos alunos e professores do curso de História com novos conhecimentos oriundos de outras instituições, proporcionando assim a oportunidade de novos debates historiográficos e, consequentemente, o engrandecimento de toda comunidade acadêmica.


Trabalho dos alunos do 3º período de História sob orientação da professora Ana Eugênia Nunes de Andrade

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Mercado Municipal de Pouso Alegre ganha páginas na história


Fernando Henrique do Vale e Ana Eugênia Nunes de Andrade

O lançamento do livro Mercado Municipal de Pouso Alegre: o cotidiano na cidade aconteceu no dia 8 de fevereiro de 2014, às 10h, no mercadão. Este livro tem o intuito de refletir o movimento citadino, frente às demolições e reformas ocorridas no prédio no período de 1893 a 2004. Para isso levamos em conta as transformações que ocorreram desde a presença de um comércio informal à construção de um espaço institucionalizado na cidade. Procuramos discorrer sobre as mudanças urbanísticas e os conflitos sociais em torno desse espaço público, possibilitando, assim, uma nova abordagem historiográfica da cidade.

Segundo o autor Fernando Henrique do Vale, historiador, este trabalho é relevante, pois nos leva a compreender a historia de Pouso Alegre, a partir de uma reflexão das praticas sociais e culturais em torno da área central da cidade.

Para a a autora Ana Eugênia Nunes de Andrade, historiadora, a temática central do livro é de extrema importância para a historiografia regional, devido a existência do prédio desde o século XIX. No livro, focamos as dinâmicas comerciais da cidade e as políticas públicas em torno do Mercado Municipal. Além de priorizarmos o espaço como um bem cultural para os moradores e visitantes da cidade. 

Por fim, indagamos, a cidade que cresce rapidamente, com a vinda de indústrias e novas tecnologias. Há um aumento populacional significativo, transformando assim as dinâmicas do município. Com isso, as práticas culturais acabam sendo sufocadas em virtude de outros investimentos e interesses políticos, sendo que algumas ainda mantêm-se vivas em resistência às novas tendências do comércio. 

O livro contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Pouso Alegre – PMPA, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo – SECULT, Lei Municipal de Incentivo à Cultura – LMIC e das empresas Corpus - Medicina por Imagens, Marco Zero – Construção Indústria e Comércio Ltda.

Pontos de venda em Pouso Alegre - MG



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

16 Projetos de Iniciação Científica aprovados em 2013

Isso é fazer História na Univás!


Iniciação Científica
Curso de História
PROBIC/FAPEMIG - 2013
Projetos aprovados com bolsa
1. Título: UOPA - União Operária de Pouso Alegre um espaço de cultura e resistência dos trabalhadores 
Acadêmico: Paulo Tadeu Furniel
Orientadora: Profª Ms. Elizabete Maria Espíndola
2. Título: Vivência Ladina: a trajetória de Maria Bonita na cidade de Santa Rita do Sapucaí – MG 
Acadêmica: Mariliza Cunha Costa
Orientadora: Profª Ms. Elizabete Maria Espíndola
3. Título: Cantos de Incelença: práticas culturais e memórias de um grupo de Encomendadores de Almas em Bom Repouso - MG
Acadêmica: Vaníula Aparecida dos Santos Costa
Orientador: Profª Dr. José Roberto Gonçalves
4. Título: O Sigma no Vale do Sapucaí: discursos e formas de (se) dizer da Ação Integralista Brasileira em Pouso Alegre (MG). 
Acadêmico: Lucas Catelan
Orientadora: Profª Dra. Andrea Silva Domingues

PIBIC/Univás – 2013 
Curso de História
Projetos de pesquisa aprovados com bolsa


1. Título: O feminino espelhado nas páginas da imprensa: o Sexo Feminino (MG) e o Jornal das Moças (RJ) 
Orientadora: Profª Ms. Ana Eugênia Nunes de Andrade
Acadêmica: Marina Tiburzio

2. Título: Novos caminhos de uma cidade que cresce: a influência da rodovia Fernão Dias para o crescimento econômico e populacional em Pouso Alegre (MG)
Orientador: Profº Ms.Alexandre Carvalho de Andrade
Acadêmico: Caíque Dias

3. Título: Cultura, vida urbana e memória: a Praça Senador José Bento em Pouso Alegre na primeira metade do século XX 
Orientador: Profº Ms.Juliano Hiroshi Ikeda Ishimura
Acadêmico: Geferson Sanches Junior


PIBIC/Univás – 2013 
Curso de História
Projetos de pesquisa aprovados sem bolsa

1. Título: A Rua Direita de São Gonçalo do Sapucaí: uma vitrine dos interesses sociais
Orientador: Profº Ms.Juliano Hiroshi Ikeda Ishimura
Acadêmico: Alexsander Junior Pereira Carvalho

2. Título: Revista O Malho: uma leitura interpretativa das charges e dos anúncios nas primeiras décadas da república 
Orientadora: Profª Ms.Ana Eugênia Nunes de Andrade
Acadêmico: Emílio Carvalho

3. Título: A cidade ideal e a cidade real: a imagem de Poços de Caldas a partir de fotografias e da percepção de seus moradores
Orientador: Profº Ms. Alexandre Carvalho de Andrade
Acadêmico: Pedro Moraes

4. Título: Instituições de caridade: a população pobre em pouso alegre/MG (1917-1936) 
Orientador: Profª Ms.Ana Eugênia Nunes de Andrade
Acadêmica: Taciana Isabel da Silva

5. Título: O outro lado do desenvolvimento do vale da eletrônica: o processo histórico de ocupação urbana em áreas alagáveis de Santa Rita do Sapucaí (MG)
Orientador: Profº Ms.Alexandre Carvalho de Andrade 
Acadêmico: Lucas José Covelo

6. Título: O histórico da produção de batata inglesa no município de Bom Repouso, Minas Gerais.
Orientador: Profº Ms. Alexandre Carvalho de Andrade
Acadêmico: Bruno Willian Brandão Domingues

7. Título: Pela ordem e para o progresso: a trajetória histórica da Escola Estadual José Tomás Cantuária Júnior e a cidade de Tocos do Moji – MG (1967-1997)
Orientador: Profº Ms.Juliano Hiroshi Ikeda Ishimura
Acadêmica: Bruna Thamyres de Almeida

8. Título: Os sentidos e os significados dos movimentos sociais e manifestações no Brasil nos livros didáticos de história, para o ensino de jovens e adultos (EJA)
Orientadora: Profª Ms. Marilda Laraia
Acadêmico: Nelson Ferreira Leal Junior    

9.Título: Entre a cruz e a espada
Orientadora: Profª Ms. Elizabete Maria Espíndola
Acadêmico: Eduardo Pereira Gomes

sábado, 9 de novembro de 2013

Egresso do Curso de História/Univás é aprovado no mestrado da Unicamp


Jonatas Roque Ribeiro foi aprovado no Processo Seletivo Pós-Graduação da Unicamp/2013, mestrado na área de História Social. Ele irá desenvolver a pesquisa intitulada ‘O Clube 28 de Setembro: espaço de sociabilidades e resistência da cultura afrodescendente em Pouso Alegre no pós-abolição’. Durante a graduação o acadêmico defendeu o Trabalho de Conclusão de Curso sob a orientação da professora Ms. Elizabete Maria Espíndola.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Mercado Municipal de Pouso Alegre: o cotidiano na cidade


* Projeto aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Pouso Alegre/MG - Edital 02/2013.

Apoio
Prefeitura Municipal de Pouso Alegre – PMPA
Secretaria Municipal de Cultura e Turismo – SECULT 
Lei Municipal de Incentivo à Cultura – LMIC

Agradecimentos
Corpus - Medicina por Imagens
Marco Zero – Construção Indústria e Comércio Ltda

Sinopse do livro
Este livro tem o intuito de refletir o movimento citadino, frente às demolições e reformas ocorridas no prédio do Mercado Municipal de Pouso Alegre no período de 1893 a 2004.  Para isso levamos em conta as transformações que ocorreram desde a presença de um comércio informal à construção de um espaço institucionalizado na cidade. Procuramos discorrer sobre as mudanças urbanísticas e os conflitos sociais em torno desse espaço público, possibilitando, assim, uma nova abordagem historiográfica da cidade.

A partir dos pressupostos da História Social, discutimos o uso da memória buscando a compreensão do passado para nos guiar no entendimento do presente. Debruçamo-nos na análise das fontes como atas de aquisição do terreno, jornais da cidade, livros de memorialistas, documentos oficiais, fotografias para ajudar na investigação histórica.

As documentações escritas e imagéticas possibilitaram a compreensão dos fatos cotidianos ao redor do Mercado, que muitas vezes passaram e passam despercebidos ou silenciados na história local, como disputas políticas, utilizadas para demarcar o espaço. Além disso, retratamos os (re) significados das mudanças neste local e as alterações nos aspectos físicos, sociais e culturais do prédio.

Na medida em que os ideais do progresso vão ganhando força, faz-se necessária uma organização urbana dando ordem ao meio público de acordo com as necessidades daqueles que a administram. Entendemos que a cidade é tratada como um lugar de vida capitalista. Os periódicos reforçam a necessidade do progresso e da civilização pautados primeiramente nos ideais higienistas, e com o passar do tempo, voltam-se para um olhar econômico e turístico.

As discussões historiográficas sobre urbanização e relações sociais ganham impulso com as novas abordagens da História Nova. Compreendemos a cidade como um espaço vivo, que se movimenta e se modifica. Assim, os espaços são pensados “como diferentes espécies que sofreram mutações, readaptando-se às novas condições ou desaparecendo. As cidades, como organismos, carregaram características que foram fundamentais a mudanças ambientais posteriores” [i]. A cidade é compreendida como produto de mudanças feitas pelo ser humano, tomando as mais diversas formas de acordo com os padrões de cada época.

O espaço da cidade pode ser entendido como um lugar em que os sujeitos e interesses plurais, públicos ou privados, coexistem, no qual as histórias são marcadas pela provisoriedade e pelos deslocamentos contínuos de sentidos, intrínsecos à modernidade capitalista[ii], lugar marcado pela guerra de símbolos[iii] que se trava entre diferentes classes sociais. Nessa perspectiva, as práticas em torno dela trazem consigo toda uma rede de representações, de memórias que se entrelaçam construindo o saber e a visão de mundo que envolvem os diferentes sujeitos. 

A História precisa ser entendida como conjunto de experiências humanas. Ao se fazer um estudo dos grupos sociais “consideram-se os significados das práticas coletivas de acordo com as ações dos sujeitos sociais e das convenções instituídas pelas comunidades”.[iv] Passamos, então, a observar a cidade de Pouso Alegre através de suas mudanças significativas para a história local, sendo observada diferentemente das abordagens memorialísticas, como objetos de reflexão e crítica. Buscamos compreender o que a história oficial não nos apresenta.

Localizada no Sul de Minas Gerais, Pouso Alegre é uma cidade que cresce acentuadamente, desde a década de 70, pela instalação de diversas empresas. Percebemos assim uma grande presença de moradores de outras localidades que habitam o espaço urbano, vindo em busca de emprego ou à procura de outras maneiras de viver.

A formação do povoado se dá em fins do século XVIII, servindo a princípio como lugar de descanso de bandeirantes ou aventureiros que avançavam em suas rotas em busca do ouro nas minas das gerais. A base econômica do povoado durante muitos anos foi a produção agrícola. No Almanaque Sul-Mineiro tomamos conhecimento do que era produzido no município nos tempos imperiais: “canna, fumo, algodão, e café. Exporta-se muito polvilho, porcos e gado. Planta-se desde longos annos chá, que é exportado para a corte” (...) [v].

Além das práticas de exportação, ressaltamos a presença de um comércio informal dentro da cidade. Através dos registros do legislativo, podemos afirmar que, inicialmente, a atividade comercial era feita nas ruas da cidade, pelos chamados carreiros – tropeiros que levavam os produtos básicos à população. Em sessão extraordinária da Câmara Municipal de Pouso Alegre, de 21 de dezembro de 1859, é autorizado o início dos trabalhos na Praça do Mercado um “lugar de enorme concorrência aos domingos. O edifício em que ella funcciona é por demais modesto e trata-se da construcção de outro”[vi].

Não temos conhecimento de registros fotográficos da época do primeiro prédio do Mercado. Os documentos apenas apresentam-no como uma casa simples em uma praça atrás da Igreja Matriz, onde se realizavam as práticas comerciais, apenas aos domingos. A casa possuía lugar para abrigar os carreiros que vinham de longe com seus produtos, os campesinos pagavam uma taxa para sua permanência. Aqueles que faziam o comércio nas ruas da cidade não poderiam vender os mesmos gêneros disponíveis na Praça do Mercado.

A necessidade de se ter um espaço próprio e maior surge durante o tempo, justamente pelo fato de o mercado possuir um comércio ativo na cidade e atender a população dos distritos de Congonhal, Estiva e Borda da Mata, que nesta época faziam parte da territorialidade de Pouso Alegre.

Em 1893, a municipalidade adquire o terreno que pertencia à Matriz e constrói um prédio mais amplo e aberto para que os produtores pudessem expor os gêneros a serem vendidos. O Mercado Municipal de Pouso Alegre sempre foi um lugar de encontros e sociabilidades. A princípio funcionava apenas aos fins de semana, atendendo a população local com a venda dos gêneros de primeira necessidade. Atualmente, é tido como um espaço turistificado, onde as pessoas, além de encontrar variedades em frutas e hortaliças, cereais e temperos, carnes, destilados, fumo de corda, artesanatos e produtos religiosos de umbanda, podem degustar destilados ou até mesmo tomar uma cerveja e comer um tira-gosto nos diversos barzinhos, lanchonetes e restaurantes em seu interior.

Segundo informações da ACOMCEPA (Associação dos Comerciantes do Mercado Central de Pouso Alegre), “são realizadas 340 compras por hora e 2.720 ao mês, passando por aquele espaço 3.016 pessoas por dia e 76.800 pessoas por mês, sendo 42% mulheres, 30% homens e 28% jovens” [vii], no ano de 2011.

Tido como um espaço público da cidade, o mercado se torna, mesmo não sendo oficialmente, um patrimônio cultural do município, por fazer parte das muitas memórias e das disputas que circundam ou participaram daquele espaço. “O patrimônio cultural materializa e torna visível o sentimento evocado pela cultura e pela memória, e, assim, permite a construção das identidades, fortalecendo os elementos das origens comuns” [viii].

Na perspectiva da presença de diversos sujeitos em um mesmo espaço, compreendemos que o patrimônio não é algo obsoleto, vindo de um passado remoto, mas sim, espaço de memória, de conflitos.

Devemos ter em mente “garantir a compreensão de nossa memória social preservando o que for significativo dentro de nosso vasto repertório de elementos componentes do Patrimônio Cultural. Essa a justificativa do por que preservar” [ix].

Esses espaços podem ser denominados como “lugares de memória”, nos quais se constitui a formação identitária de uma sociedade. Pierre Nora nos chama atenção sobre a busca pelos referidos lugares em que se preserva a memória, principalmente, no momento em que vivemos, pois uma série de novas informações é produzida a cada instante.

Percebemos a necessidade da preservação da memória como forma de reconstituição de si mesma, uma memória viva e dinâmica, expressa nos comportamentos humanos, na constituição de grupos e de uma sociedade. Pierre Nora enfatiza os lugares da memória como “restos” que procuram testemunhar outra era. Tais lugares, contudo, (...) nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários, organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, por que essas operações não são naturais[x]. Notamos que os lugares da memória estão ligados a uma ritualização, ou seja, uma rede simbólica que os permeiam, permitindo que cada um realize o exercício de relembrar, concebendo assim a história como um exercício que aglutina passado, presente e futuro.

No campo da memória, percebemos um grande desafio perante a conservação, podemos assim dizer, uma grande luta de sobrevivência. A tradição é de suma importância para a preservação da identidade de um grupo social, suas práticas e realizações. Sendo assim, a memória procura salvar o passado para servir o presente e o futuro, de forma que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens[xi].

Nesta perspectiva histórica, dividimos o livro em três capítulos. No primeiro capítulo, intitulado Máscaras republicanas na urbanidade rural - buscamos compreender uma cidade controlada pelos políticos e pela elite que passam uma falsa imagem de progresso, procurando propagá-la nos jornais e nos cartões-postais, fazendo com que ela se torne aos olhos dominantes um paraíso das repúblicas, da ordem e do progresso. Nessa direção, o comércio informal será prejudicado pelas leis instituídas pelos políticos favoráveis aos comerciantes que possuem estabelecimentos fixos, fazendo desses espaços campos conflitantes. O Mercado se tornará um prédio institucionalizado, os ambulantes que vendiam produtos pelas ruas da cidade foram afastados do centro. A ordenação do espaço é cada vez mais enfatizada pelos diferentes discursos políticos.

No segundo capítulo, Novas práticas sociais: tensões na cidade - analisamos os discursos higienistas presentes na imprensa e nos discursos dos políticos locais. Os discursos reproduziam que os espaços públicos clamavam por uma melhor visibilidade, e as críticas da imprensa serão direcionadas ao mau aspecto em que se encontram os prédios públicos. A cidade aos poucos é pautada na máxima do paraíso desenvolvimentista do regime ditatorial, o centro vai se modificando, as grandes construções são prioridades para o país. Com esse espírito, mais uma vez, o prédio do Mercado é reformado e, consequentemente, inaugurado como uma obra modelo, funcional e modelar, alterando a rotina dos trabalhadores e frequentadores do local.

Por fim, indagamos no terceiro capítulo intitulado Vitrine do progresso: marcas políticas em disputa, a cidade que cresce rapidamente, com a vinda de indústrias e novas tecnologias. Há um aumento populacional significativo, transformando assim as dinâmicas do município. O Mercado Municipal passa por outra reforma, chamando a atenção de turistas e dos moradores que passam diariamente pela região. Com isso, as práticas culturais acabam sendo sufocadas em virtude de outros investimentos e interesses políticos, sendo que algumas ainda mantêm-se vivas em resistência às novas tendências do comércio.


Notas

[i]POSSAMAI, Zita Rosane. Metáforas visuais da cidadeRevista Urbana, ano 2, n. 2, CIEC, Campinas: UNICAMP, 2007, p. 2.
[ii]BENJAMIN, Walter. Paris do segundo Império - A boêmia; Flâuner; A modernidade, 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1989, p. 125.
[iii]DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Trad. Estela dos Santos Abreu. RJ: Contraponto, 1997, p. 84.
[iv]CHARTIER, Roger. À beira da falésia: a história entre incertezas e inquietudes. Porto Alegre: Editora     UFRS, 2002, p.123.
[v]VEIGA, Bernardo Saturnino da. Almanack Sul-Mineiro para 1884. Tipographya do Monitor Sul Mineiro, Campanha da Princeza, MG, 1884, p. 371.
[vi]Idem, p. 370.
[vii]Jornal Diário, Pouso Alegre, 14 de Julho de 2011, Ano VIII, n° 1387, p. 05.
[viii]Idem, p. 16.
[ix]LEMOS, Carlos A.C. O que é patrimônio histórico. São Paulo: Editora Brasiliense, 2006, p. 29.
[x]Idem.
[xi]LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: UNICAMP, 1996, p. 477